No mês de Conscientização e Prevenção ao suicídio, cantor lança música sobre depressão em libras

Muito tem se falado sobre o “Setembro Amarelo”, uma campanha do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria, iniciada em 2015, que visa a conscientização sobre a prevenção do suicídio. Além disso, esse mês é conhecido por ser o de visibilidade da cultura dos surdos. São duas campanhas importantes e que fazem parte da história do cantor Nattan.

Nascido em Bebedouro, interior de São Paulo, o artista de 30 anos aproveitou o mês para lançar um clipe inteiro em libras para chamar a atenção sobre a prevenção do suicídio e dar visibilidade à cultura dos surdos. São dois temas de extrema importância para ele, que aproveitou a música e o clipe do single “O Mergulho”, gravado junto a cantora Milla, conhecida no mercado pela sua participação no The Voice Brasil, para falar sobre a pressão da sociedade para se encaixar nos padrões e como é possível se perder ao tentar ser o que não é, levando à depressão e até ao suicídio.

– Eu gravei o clipe “O mergulho” justamente para dizer tudo isto através da arte, que tem um poder de cura imenso. Foi muito emocionante gravar porque eu sabia bem do que eu estava falando, era a minha história ali, e eu tinha o desejo de que as pessoas assistissem e se identificassem, sabendo que aquele cara que está ali na tela é um sobrevivente, passou por muitos furacões, terremotos e hoje está ali, intacto, presente, lutando pela vida, dizendo que ela é linda e que TODOS NÓS podemos e merecemos nos sentir assim – ressalta Nattan.

Ele, que é ativista social e já passou meses da sua vida morando em comunidades do Rio de Janeiro e no Espírito Santo, revela que sabe bem o que as pessoas com depressão passam, pois sofreu com a doença durante muito tempo.

– A depressão dominou minha vida por mais de 15 anos, com picos elevadíssimos desencadeando crises de pânico horríveis até chegar ao ponto de tentar o suicídio. E eu tentei. Muita gente acha que é frescura, mas poucas pessoas se colocam no lugar do outro quando não passam pela mesma situação. Você que está lendo essa matéria sabe como é viver com tudo dentro pedindo para morrer? Viver um personagem para a sociedade e ter o seu EU dentro de um lugar extremamente escuro, solitário, sem esperança, com pouco ar, sem vida nenhuma? Precisamos falar deste assunto e essa é uma das formas que tenho para ajudar as pessoas – diz.

Como o clipe, a música tem como foco jogar luz sobre a história de Nattan, que é a história de muitas pessoas que sofrem com a doença. “’O Mergulho’ nasceu por causa da minha história de vida. Um dos maiores presentes que a vida nos dá é a oportunidade de darmos um novo significado a qualquer catástrofe que acontece dentro de nós. Eu precisava contar para as pessoas que estão passando por situações semelhantes (são muitas), que não existe buraco sem saída. Todo buraco em que entramos tem a mesma via de acesso e de saída, mas eu sei como é difícil termos esta consciência quando estamos imersos em nós mesmos…”

Além disso, o cantor viu a oportunidade no clipe de trazer à tona uma outra questão importante: a visibilidade da cultura dos surdos.

– Quando era adolescente, eu participava de um grupo que traduzia cultos em libras, músicas, etc. Eu peguei um carinho imenso pela comunidade dos surdos e amava traduzir para eles, ter contato com uma realidade um “tanto” diferente da minha (apesar de estarmos todos no mesmo plano) expandiu a minha mente e sou muito grato a todos os surdos que passaram e passam em minha vida. Eu comecei a perceber que existem pouquíssimos trabalhos direcionados para esta comunidade. A inclusão é um abraço de amor, de respeito, humano, e eu quis fazer essa música em libras na tela principal porque gostaria que eles soubessem o quanto são importantes e preciosos para mim, para nós, e eu precisava falar desse assunto na linguagem deles também. Além disso, setembro amarelo também é setembro azul, que é o mês de visibilidade – completa Nattan.

Assista: