“Norman Fucking Rockwell”, novo álbum de Lana Del Rey, chega nesta sexta-feira

Norman Rockwell foi um pintor norte-americano, nascido no final do século 19, responsável por diversos trabalhos que fazem parte da cultura pop do país. Suas ilustrações são parte do movimento de arte figurativa e ganharam popularidade rapidamente por contarem cenas do cotidiano. As imagens que estamparam capas das revistas The Saturday Evening, Boy’s Life, jornais como o New York Times e tantas outras publicações importantes dos anos de 1920 em diante, até sua morte, no final dos anos 70, hoje são vendidas por milhões em leilões do mundo todo, colocando o artista popular – em sua época – nos mesmos patamares dos grandes gênios que representam os Estados Unidos.

Foi usando o autor para personificar alguns de seus relacionamentos, que Lana Del Rey se divertiu – ao lado do produtor Jack Antonoff (Fun, St. Vincent, Lorde e Taylor Swift) – para criar a faixa que nomeia o álbum. A canção “Norman Fucking Rockwell” fala sobre alguém que se acha superior intelectualmente, mas que nem é tudo isso, apesar de ainda conseguir provocar sentimentos na cantora. Em entrevista a um DJ da Nova Zelândia, Lana contou como sempre “acabava namorando esses tipos criativos, que não param de falar de si mesmos, enquanto eu fico tipo ‘ah sim, sim’. Adorei o título que criamos para faixa e decidi me inspirar nela para escrever o resto do álbum”.

Com 14 canções, o disco “Norman Fucking Rockwell” – que chega às plataformas nesta sexta – tem sido apresentado aos fãs desde o ano passado, com o lançamento das faixas “Venice Bitch” e “Mariners Apartments Complex”, lançadas em setembro. Em maio deste ano, Lana divulgou o cover de “Doin’ Time”, do Sublime, que também faz parte do repertório. E na semana passada foram lançadas mais duas faixas que fazem parte do álbum, “Fuck it I love you” e “The greatest”, com um clipe duplo.

Ela vem compartilhando em entrevistas as inspirações que a levaram a compor cada uma das canções. “Mariners Apartments Complex”, por exemplo, foi escrita durante uma caminhada noturna com um ex, que a levou até o condomínio de um amigo: “Ele colocou as mãos nos meus ombros e disse que estávamos juntos por sermos parecidos e bagunçados emocionalmente”, a cantora revelou em uma entrevista. “Achei aquela a coisa mais depressiva que já ouvi e respondi ‘Eu não estou triste, não achei que você estava se identificando comigo desta maneira. Na verdade, estou muito bem’. Ele ficou meio decepcionado e, então, decidi escrever a música. Tive que assumir o papel positivo e guiá-lo de certa forma” explica sobre a faixa.

Em “Venice Bitch”, Lana traz novamente a referência a Rockwell, mas não se lembra o motivo. “Acho que queria reforçar a ideia um pouco mais. Não me lembro no que estava pensando quando escrevi essa música”, diz. “Mas adoro ter referências de pintores porque acho que, às vezes, quando você está compondo uma música, é como se estivesse pintando aquelas ideias no mundo”, finaliza.

Continuando com as referências a artistas do passado, Lana Del Rey cita a romancista e poeta britânica Sylvia Plath em “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but I have it”, quando canta “I’ve been tearing around in my fucking nightgown/24/7 Sylvia Plath” (tenho chorado por aí, de camisola, lendo Sylvia Plath, 24 horas por dia). Para a revista Billboard, ela conta que a faixa foi inspirada no movimento #metoo – que levou tantas artistas em Hollywood a falarem sobre o assédio na indústria – porque ela diz ter visto “muitas coisas que não soavam certas, mas que ninguém parecia ter permissão para falar sobre, já que todos sabiam e ninguém se pronunciava. A cultura tem mudado bastante nos últimos anos e agora as pessoas acreditam em você. Eu já estou na indústria há 15 anos! Então, escrevi a música para mim mesma. Esperança é realmente algo perigoso para uma pessoa como eu sentir”, ela respira fundo e finaliza: “mas eu sinto”.

Na última semana, ficou disponível no canal da cantora, o vídeo duplo de “Fuck It I Love You” e “The Greatest”, no qual ela aparece pintando e surfando, outra referência forte no disco. “A princípio, a influência vinha completamente do som criado em Santa Mônica, mas foi se modificando um pouco, adquirindo uns elementos do surf em algumas músicas, muita guitarra, um toque de Red Hot Chili Peppers aqui e ali”, descreveu a artista. Na entrevista da Billboard, Lana disse que o disco é “música ambiente”, uma vez que ele não foi criado para tocar em rádios pop comerciais.

Trabalhando com Jack Antonoff desde dezembro, Lana conta: “Já produzimos uma seleção de músicas e eu as coloquei em uma sequência da qual gostei muito”.