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A evolução do estilo musical de Kali Uchis

Kali Uchis desembarca em São Paulo no dia 8 de fevereiro de 2026 com a turnê “The Sincerely, Tour”, em um show único no Vibra São Paulo. A apresentação começa às 20h30, com portões abertos às 18h, classificação para 16 anos, ingressos pela Ticketmaster e realização da Live Nation Brasil. O que poderia ser apenas um anúncio de agenda se torna mais interessante quando lembramos onde essa artista está hoje, depois de mais de uma década transformando a própria identidade em linguagem. Ver Kali Uchis ao vivo em 2026 significa assistir ao resultado de uma trajetória construída com teimosia e visão, daquelas que só funcionam quando o artista realmente acredita no que está fazendo.

A evolução do estilo musical de Kali Uchis

Desde a mixtape “Drunken Babble”, lançada em 2012, ela parecia operar fora do eixo tradicional. Uma espécie de soul lo-fi com perfume retrô, vocais cheios de personalidade, clima experimental. Em 2015, com o EP “Por Vida”, veio o primeiro choque de realidade no mercado alternativo. O público percebeu que aquela artista tinha lastro cultural, estética definida e potencial para ir muito longe. Kali circulava ao lado de Tyler, The Creator e Snoop Dogg e chamava atenção sem esforço. Nada nela parecia tentar se encaixar. E esse foi o ponto-chave.

Quando “Isolation” chegou em 2018, o jogo virou para valer. A crítica entendeu o recado e apontou o álbum como uma das obras mais sofisticadas do pop alternativo recente. Mistura fina de R&B, psicodelia, soul e jazz, tudo conduzido com delicadeza e precisão. Kali Uchis surgia como uma artista que dominava o próprio som e não buscava validação de ninguém. Era só o começo.

O grande divisor surge em 2020 com “Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)”, um disco inteiro em espanhol. Se alguém ainda duvidava da amplitude dessa artista, bastou ouvir “Telepatía” explodir no mundo todo para entender que ela não estava mais disputando espaço. Estava criando o próprio território. Nada soava como recurso de marketing. A escolha do idioma significava reconexão com sua herança colombiana. Era gesto, identidade, afirmação cultural. E foi justamente nesse momento que ela conquistou o público global.

Daí em diante, a transformação vira rotina. Em 2023, “Red Moon in Venus” reforça sua versatilidade, mergulhando em um R&B emocional com camadas densas e atmosfera quase espiritual. No ano seguinte, “Orquídeas” aparece como seu trabalho mais ousado. Um álbum que abraça bolero, reggaeton, salsa, perreo com elegância e refinamento pop. A crítica celebra, o público abraça e Kali se consolida como uma das vozes mais importantes da música latina moderna. Mais do que transitar entre idiomas, ela os mistura. Sua música se move como espelho cultural de quem cresceu entre dois mundos. Ela virou referência justamente por tratar sua biculturalidade não como estética, mas como verdade.

É esse momento de maturidade que o público brasileiro vai encontrar no Vibra São Paulo. Não é só um show. É a chance de assistir uma artista que evoluiu com inteligência, sem perder controle criativo, sem diluir conceito para agradar o mercado. O setlist deve apresentar diferentes fases dessa trajetória, de “Moonlight” a “Telepatía”, passando por “I Wish You Roses”, costurando cada período com autoridade.

O mais curioso é que, mesmo em plena ascensão, Kali Uchis mantém um traço que a acompanhou desde o começo: a recusa em pertencer a um único lugar. Nunca foi uma cantora de soul tradicional. Nem um fenômeno latino de rádio. Nem só popstar que flerta com o alternativo. É tudo isso ao mesmo tempo. E talvez seja justamente essa fluidez a maior força de sua arte.

Ver Kali Uchis em São Paulo significa testemunhar o auge de uma metamorfose contínua. Uma artista que virou protagonista da própria narrativa, que transformou inseguranças em identidade e que hoje domina fronteiras culturais com naturalidade.

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