A temporada de premiações de 2026 ganhou um rosto improvável e histórico. Amy Madigan, aos 75 anos, transformou sua atuação como a aterrorizante Tia Gladys no filme de terror “A Hora do Mal“ em um dos maiores fenômenos críticos do ano. Indicada ao Oscar uma única vez em 1985 por “Duas Vezes na Vida”, a veterana retorna quatro décadas depois como a favorita absoluta ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, rompendo padrões que Hollywood mantém há décadas quando o assunto é idade, tempo de carreira e, principalmente, o gênero terror.

Caso seja indicada ao Oscar 2026, cujos nomes serão revelados em 22 de janeiro, Madigan estabelecerá o maior intervalo já registrado entre indicações de uma atriz, com 40 anos desde sua primeira nomeação. O recorde atual pertence a Helen Hayes, que teve um hiato de 39 anos entre 1932 e 1971. Uma vitória ampliaria ainda mais esse feito, já que aos 75 anos ela se tornaria a segunda vencedora mais velha da história da categoria, atrás apenas de Peggy Ashcroft, que venceu aos 77. O simbolismo se intensifica por se tratar de um filme de terror, um território tradicionalmente marginalizado nas categorias de atuação do Oscar.
Dirigido por Zach Cregger, “A Hora do Mal” se transformou em um caso raro de reconhecimento amplo para um terror de estúdio. O desempenho de Madigan foi o principal motor desse movimento. A atriz venceu o Critics Choice Awards 2026, recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG Awards e acumulou mais de 24 vitórias em associações de críticos, incluindo o prestigiado New York Film Critics Circle. Nas bolsas de apostas como o Gold Derby, ela lidera com ampla vantagem, aparecendo como o nome mais provável da categoria.
A última vez que uma atriz venceu o Oscar de atriz coadjuvante por um terror foi em 1969, quando Ruth Gordon levou a estatueta por “O Bebê de Rosemary”. Desde então, performances celebradas como as de Linda Blair em “O Exorcista” e Toni Collette em “O Sexto Sentido” chegaram à disputa, mas sem quebrar o bloqueio histórico do gênero. Amy Madigan agora surge como a candidata capaz de encerrar um hiato de quase seis décadas.
Em “A Hora do Mal”, a atriz interpreta a sinistra Tia Gladys, uma figura que rapidamente se tornou um ícone cultural. A personagem chega como uma parente excêntrica que passa a cuidar do sobrinho após os pais dele adoecerem, mas logo se revela uma bruxa parasita responsável pelo desaparecimento de 17 crianças de uma escola primária. Gladys utiliza feitiçaria e objetos pessoais das vítimas para mantê-las sob transe e drenar sua energia vital, prolongando a própria vida. O visual da personagem, marcado por peruca vermelha, óculos enormes e maquiagem exagerada, cria um contraste perturbador entre uma tia suburbana aparentemente inofensiva e uma vilã implacável.
A crítica descreve a atuação de Madigan como “magnética”, “icônica” e “assustadoramente humana”. A atriz realizou suas próprias cenas físicas, incluindo um clímax em que Gladys é perseguida pelas próprias crianças que aprisionou, um dos momentos mais comentados do filme. O impacto da personagem foi tão grande que a Warner Bros. e a New Line Cinema já desenvolvem um longa derivado focado na origem da Tia Gladys, transformando a vilã em uma nova peça central do terror comercial contemporâneo.
Com as indicações do Oscar marcadas para 22 de janeiro de 2026 e a cerimônia prevista para 14 de março, Amy Madigan entra na reta final da temporada como o maior fenômeno do ano. Uma vitória consolidaria um dos retornos mais improváveis da história recente de Hollywood, quebrando barreiras de idade, tempo de carreira e preconceito contra o terror de uma só vez.
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