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“A Metade Perdida”: Best-seller do New York Times que aborda o racismo e o colorismo em uma comunidade negra chega ao Brasil

Texto: Eduardo Fonseca
11 de maio de 2021
em Livros

Aclamado pela crítica norte-americana, A metade perdida, de Brit Bennett, foi lançado nos EUA em junho 2020, durante os protestos pelo assassinato de George Floyd. Com a potência de um romance que trata a questão racial em uma comunidade de pessoas negras obcecadas por terem uma pele cada vez mais clara, o livro arrebatou o público, transformando-se em um best-seller instantâneo. Colorismo e passabilidade — capacidade de uma pessoa ser considerada membro de um grupo ou categoria identitária diferente da sua — são elementos-chave na narrativa construída pela autora, que vê com uma “cautela otimista” essa recente procura por escritores negros nos Estados Unidos e no Brasil. Em fevereiro, os assinantes do clube intrínsecos receberam o romance em primeira mão.
 
Com a intenção de tirar do lugar-comum o debate sobre o preconceito racial, a autora apresenta a história das irmãs Vignes, gêmeas idênticas que aos 16 anos resolvem fugir de casa. Mais de uma década depois, uma delas volta para a cidade natal — uma comunidade no sul dos Estados Unidos povoada por negros de tons de pele claríssimos que se esforçaram ao longo de gerações para manter essa característica. Quando a recém-chegada surge acompanhada não da irmã, mas de uma criança de pele muito escura, a reação entre os moradores é de choque.
 
Para as gêmeas, a separação não significou apenas o rompimento de um laço sanguíneo. Elas se encontram em pontos muito distantes em uma sociedade racista: enquanto uma se casa com um homem negro e é obrigada a retornar ao lugar de onde escapou tantos anos antes, a outra é vista como branca, e o marido branco não faz ideia de seu passado. Ainda que separadas por milhares de quilômetros — e incontáveis mentiras —, as duas permanecem com o destino interligado. E o que acontecerá quando os caminhos de suas filhas acabarem se cruzando também?
 
Brit Bennett se inspirou no clássico da literatura norte-americana Identidade, de Nella Larsen. Escrito em 1929, o livro é referência na discussão do racismo nos Estados Unidos e também aborda a história de duas mulheres negras de pele clara. Apontado pelo jornal The Wall Street Journal como um possível ”fenômeno cultural”, A metade perdida foi alçado pela crítica literária dos Estados Unidos ao patamar de livros icônicos de uma época, como o que influenciou Brit.
 
Apontado pelo jornal britânico The Guardian como “um testemunho dos poderes de redenção da comunidade, das conexões e de olhar para além de si”, o romance de Brit Bennett reúne diversos núcleos e gerações de uma mesma família, do extremo sul dos Estados Unidos à Califórnia, entre os anos 1950 e 1990, construindo uma história emocionante que traz uma comunidade negra no centro da narrativa.

Brit Bennett nasceu e cresceu no sul da Califórnia. Formou-se na Universidade de Stanford e obteve um mestrado em ficção na Universidade do Michigan, onde recebeu o Hopwood Award e o Hurston/Wright Award. Em 2016, foi eleita pela National Book Foundation uma das cinco vozes mais promissoras da literatura americana com menos de 35 anos. A autora já teve ensaios publicados em veículos como The New Yorker, The New York Times Magazine, The Paris Review e Jezebel. Seu romance de estreia, As mães, publicado pela Intrínseca, tornou-se best-seller do The New York Times.

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