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“A Sina de Ofélia”: música gerada por IA reacende debate sobre direitos autorais

Em dezembro de 2025, um suposto feat entre Luísa Sonza e Dilsinho viralizou nas redes sociais e plataformas digitais. Intitulada “A Sina de Ofélia”, a música circulou como se fosse um lançamento oficial dos artistas, mas foi criada integralmente por inteligência artificial, sem qualquer envolvimento direto dos cantores.

“A Sina de Ofélia”: feat gerado por IA reacende debate sobre direitos autorais

A faixa é uma adaptação em pagode de “The Fate of Ophelia”, música atribuída ao repertório recente de Taylor Swift, com letra traduzida para o português e vozes que simulam com alto grau de realismo os timbres de Luísa Sonza e Dilsinho. O resultado se espalhou rapidamente pelo TikTok e Instagram, acumulando mais de 10 milhões de reproduções somadas até o fim de dezembro.

O nível de realismo foi tamanho que os próprios artistas chegaram a interagir com o conteúdo nas redes sociais, dublando trechos da música e alimentando ainda mais a circulação do material. Mesmo assim, “A Sina de Ofélia” não é um lançamento oficial. Apesar de Luísa Sonza e Dilsinho terem uma parceria real, lançada em 2020 com “Não Vai Embora”, a música viral criada por IA não possui qualquer autorização formal.

Com o crescimento do alcance, surgiram também entraves jurídicos. Relatos indicam que, ainda em dezembro de 2025, a faixa foi removida de algumas plataformas, após intervenções ligadas a direitos autorais da obra original associada a Taylor Swift. O caso reforça a discussão sobre obras derivadas criadas por inteligência artificial e os limites legais do uso de material protegido.

A legislação brasileira e norte-americana estabelece que adaptações e transformações de obras protegidas exigem autorização prévia dos detentores dos direitos. Mesmo quando criadas por algoritmos, músicas que utilizam elementos identificáveis, como melodia, estrutura ou letra, podem ser consideradas infrações. Além disso, obras feitas exclusivamente por IA não possuem proteção autoral, mas ainda assim podem violar direitos de terceiros.

O episódio ocorre em meio a um movimento global de artistas contra o uso predatório da inteligência artificial. No Brasil, em novembro de 2025, nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte, Marina Sena, Mumuzinho, Simone Mendes, Felipe Araújo e Carol Biazin participaram da campanha “Toda criação tem dono. Quem usa, paga”, promovida pela UBC, defendendo remuneração e consentimento no uso de obras para treinamento de IA.

No cenário internacional, mais de 200 artistas assinaram uma carta aberta da Artist Rights Alliance em 2024, incluindo Billie Eilish, Madonna, Katy Perry, J Balvin, Camila Cabello, Robert Smith e Jon Bon Jovi, além de representantes dos espólios de Frank Sinatra e Bob Marley.

Casos semelhantes já resultaram em remoções rápidas via notificações DMCA, mecanismo amplamente utilizado por gravadoras e artistas para retirar conteúdos considerados irregulares de plataformas como Spotify, YouTube e TikTok. O histórico recente indica que, mesmo sem decisões judiciais, a via administrativa segue como a ferramenta mais eficaz contra deepfakes musicais.

O futuro de “A Sina de Ofélia” permanece incerto, mas o caso evidencia uma zona cinzenta da indústria musical, onde tecnologia, viralização e direitos autorais avançam em ritmos diferentes.

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