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Ágatha Félix encontra a própria voz em “Antes dos 20”, álbum de estreia

Texto: Ygor Monroe
24 de julho de 2026
em Entrevistas, Música

Ágatha Félix inicia um novo capítulo na carreira com o lançamento de “Antes dos 20”, seu primeiro álbum de estúdio. Disponível em todas as as plataformas digitais, o trabalho reúne dez faixas que nasceram ao longo de mais de um ano de composição e produção, funcionando como um retrato do amadurecimento da artista e da busca por uma identidade musical própria. Entre influências do pop, funk, piseiro e R&B, o disco acompanha diferentes fases da juventude, abordando inseguranças, relacionamentos, descobertas e expectativas que acompanham a chegada da vida adulta.

Ágatha Félix encontra a própria voz em "Antes dos 20", álbum de estreia
Ágatha Félix encontra a própria voz em “Antes dos 20”, álbum de estreia

Pensado como uma obra única, “Antes dos 20” conecta histórias distintas dentro de um mesmo universo narrativo. Cada faixa representa um momento específico da trajetória de Ágatha, mas todas conversam entre si ao retratar sentimentos que atravessam uma geração. Mais do que reunir músicas lançadas isoladamente, o projeto nasce como um registro completo de uma fase da cantora, que decidiu ampliar seus horizontes criativos e experimentar novos caminhos sonoros.

A mudança começou logo nas primeiras conversas sobre o álbum. Segundo Ágatha, existia a vontade de aproximar sua música de referências brasileiras e explorar estilos que até então não faziam parte de seu repertório. “Quando a gente pensou em começar o álbum, já sabia que precisava abrasileirar o meu som em geral e buscar novas referências”, conta. Para ela, escrever sobre batidas de funk e piseiro acabou abrindo possibilidades que mudaram completamente a construção do projeto. “Compor em beats de funk, como em ‘Alienado’, e em beat de piseiro para ‘Querida’, trouxe o Brasil mesmo, uma estética mais brasileira e uma pegada que eu nem sabia que precisava tanto até realmente fazer.”

A artista explica que o desafio era justamente sair da zona de conforto sem perder sua essência. “Eu queria fazer alguma coisa diferente, então resolvi me desafiar a escrever em outros estilos musicais e encaixar isso depois na minha identidade para trazer novidades.” O resultado é um disco que preserva o pop como ponto de partida, mas amplia sua sonoridade ao dialogar com diferentes influências ao longo das dez faixas.

A relação de Ágatha com o álbum também mudou depois que as músicas chegaram ao público. Uma das maiores surpresas foi a recepção de “Assume o Risco”, composição que ganhou um novo significado para a cantora após o lançamento. “Na época em que a gente compôs, eu gostava muito dela, mas era uma música que acabava passando um pouco batido para a gente. Eu não achei que fosse pegar tanto as pessoas como pegou”, admite.

Com a resposta dos ouvintes, sua percepção sobre a faixa foi completamente transformada. “A gente passa muito tempo ouvindo aquilo que está fazendo e fica muito preso na nossa própria ideia. Quando vai para o público, a gente vê uma interpretação completamente diferente. Depois que lancei, essa música entrou em outro lugar para mim e hoje é uma das minhas favoritas.”

Esse diálogo entre artista e público também mudou o peso da faixa-título. Muito antes do lançamento do álbum, “Antes dos 20” começou a chamar atenção nas redes sociais depois que Ágatha publicou um vídeo interpretando um trecho da música. Naquele momento, porém, ela sequer imaginava que a composição faria parte do disco.

“Inicialmente foi uma música que escrevi em casa para desabafar sobre a vida antes dos 20 anos, sobre as inseguranças e sobre essa vontade de que as coisas aconteçam”, lembra. Como não pretendia lançá-la, decidiu publicar um pequeno vídeo sem imaginar a repercussão que viria na sequência.

As mensagens começaram a chegar imediatamente, mas uma delas marcou profundamente a cantora. “Uma menina que eu admiro muito me escreveu dizendo: ‘Cara, eu me sinto exatamente assim. Estou ouvindo esse vídeo em loop. Me lança essa música, por favor’.” O relato ganhou ainda mais força porque ambas compartilhavam experiências parecidas dentro da carreira artística. “Ela também é atriz, então dividiu comigo muitas inseguranças que essa profissão traz. Foi aí que eu entendi que essa música falava muito mais do que só sobre mim.”

A partir daquele momento, Ágatha percebeu que o desabafo tinha encontrado eco em outras pessoas. “Eu pensei: ‘Caraca, existem várias pessoas que sentem isso e eu preciso compartilhar’. Foi uma sensação de que eu precisava colocar essa música no mundo para acolher outras pessoas.”

Essa identificação espontânea acabou antecipando o impacto do álbum muito antes de sua estreia oficial. A faixa-título passou a representar o sentimento de uma geração que convive com a pressão de conquistar objetivos cada vez mais cedo, transformando uma experiência pessoal em um tema coletivo.

Ao longo das dez músicas, Ágatha alterna momentos leves, bem-humorados e românticos com composições marcadas pela vulnerabilidade. O álbum começa em alta energia com “Querida”, descrita pela cantora como uma história inspirada em uma situação real. “É uma música muito animada que abre o álbum no batidão. Fala sobre uma menina que dava em cima do meu namorado. Eu sempre tento fazer a pessoa gostar de mim e evitar briga, mas tudo tem limite. Minha sororidade também teve.” Segundo ela, a solução encontrada foi transformar a irritação em música. “Para não brigar, escrevi uma música dando todos os motivos do mundo para ela me odiar. Acho que todo mundo já teve uma ‘querida’ na vida que testou a paciência.”

Na sequência, “(Des)graça” apresenta um olhar irônico sobre relacionamentos e desigualdades. “Fala muito sobre ouvir homens dizendo que, se estivessem no seu lugar, fariam tudo melhor. Você sabe que não é bem assim.” A artista define a canção como um exagero proposital. “É um pop leve e irônico. Um dia você está chorando, no outro está fazendo graça da situação.”

Já “Casual” nasceu de um episódio bastante específico. Ágatha conta que escreveu a música depois de ouvir um antigo parceiro falar sobre relacionamentos anteriores. “Sou muito ciumenta. O cara começou a contar sobre a menina que ficava antes da gente namorar e aquilo foi me corroendo por dentro. Desliguei a ligação, sentei no piano e compus.” Embora tenha surgido como uma balada dramática, a faixa ganhou novos contornos durante a produção. “Começou super melancólica e virou um pop dançante. Acho que os ciumentos vão entender muito bem essa música.”

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Temas: Ágatha Félix

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