Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
Sem resultados
Ver todos os resultados

Além de Taylor Swift: por que Ofélia segue assombrando a música e o cinema

Texto: Ygor Monroe
28 de dezembro de 2025
em Cinemas/Filmes, Música

Poucas imagens da história da arte carregam uma força simbólica tão persistente quanto “Ofélia”, pintura criada por John Everett Millais entre 1851 e 1852. Inspirada na tragédia “Hamlet”, de William Shakespeare, a obra ultrapassou o espaço dos museus e passou a circular como referência visual recorrente na música, no cinema e na cultura pop. A imagem da jovem flutuando em um rio, cercada por flores, com o corpo entregue à água e o rosto sereno diante da tragédia, construiu um imaginário que segue ativo, reinterpretado e constantemente resignificado. Mais do que uma cena literária transformada em pintura, Ofélia tornou-se uma linguagem visual, um símbolo reconhecível mesmo fora do contexto original.

Além de Taylor Swift: por que Ofélia segue assombrando a música e o cinema
Além de Taylor Swift: por que Ofélia segue assombrando a música e o cinema

Atualmente parte do acervo da Tate Britain, em Londres, a obra ocupa um lugar central dentro da Irmandade Pré-Rafaelita e representa um ponto de virada na relação entre arte, natureza e emoção. Millais escolheu transformar um momento de colapso psicológico em uma cena de beleza quase hipnótica, onde a morte surge como contemplação e entrega. Esse gesto estético moldou todas as leituras posteriores da personagem e explica por que a pintura segue despertando fascínio ao longo dos séculos.

Na tragédia “Hamlet”, Ofélia aparece como uma figura atravessada pela perda e pela ausência de autonomia. Após a morte do pai, Polônio, e o distanciamento emocional de Hamlet, ela mergulha em um estado de delírio que culmina em sua queda no rio, enquanto canta e colhe flores, alheia ao perigo que se aproxima. Millais cristaliza esse instante e transforma fragilidade em imagem eterna. O horror se dissolve na serenidade, criando um contraste visual que permanece perturbador e atraente ao mesmo tempo.

A própria história por trás da pintura amplia seu peso emocional. A modelo Elizabeth Siddal precisou posar durante meses em uma banheira cheia de água para que o artista capturasse com precisão o efeito do corpo submerso. O processo exigiu sacrifício físico e emocional, culminando em episódios de adoecimento que se tornaram parte da mitologia da obra. A trajetória de Siddal, marcada por reconhecimento tardio, sensibilidade extrema e uma morte precoce por overdose, acabou se conectando simbolicamente à personagem que ajudou a eternizar. Arte e vida passaram a dialogar de forma quase indissociável.

O simbolismo da pintura se intensifica pelo uso rigoroso da floriografia, prática comum na era vitoriana. Cada planta carrega um significado específico e constrói um verdadeiro código visual. O salgueiro representa abandono e tristeza, as margaridas remetem à inocência, as papoulas vermelhas evocam o sono profundo e a morte, as violetas associam fidelidade à perda precoce e as rosas fazem referência à beleza e ao amor juvenil. Esse conjunto transforma a obra em um mapa emocional silencioso, aberto a interpretações e releituras.

Com o passar do tempo, essa imagem deixou de pertencer apenas à história da arte e passou a circular livremente na cultura pop. Na música, referências diretas e indiretas reforçam como Ofélia se tornou um arquétipo visual e emocional. Em 2025, Taylor Swift trouxe a personagem novamente ao centro do debate cultural com o single “The Fate of Ophelia”, presente no álbum “The Life of a Showgirl”. A estética do clipe e da capa dialoga diretamente com a pintura de Millais, recriando a imagem da artista submersa. A diferença surge na narrativa proposta, que transforma queda em sobrevivência e ressignifica a tragédia sob uma ótica ligada à autonomia feminina.

Antes disso, Nick Cave & The Bad Seeds já haviam explorado essa imagem no clipe de “Where the Wild Roses Grow”, lançado em 1995, com Kylie Minogue flutuando em um rio em uma composição visual quase idêntica à da pintura. No K-pop, o grupo Red Velvet incorporou uma releitura explícita da obra no clipe de “Feel My Rhythm”, lançado em 2022, reforçando como o símbolo atravessa gêneros, culturas e idiomas. Já a canção “Ophelia”, do The Lumineers, trabalha a personagem como metáfora da fragilidade emocional e da perda de controle, mantendo viva a aura melancólica que sempre acompanhou a figura.

No cinema, a influência se mostra igualmente marcante. Em “Melancolia”, de 2011, Lars von Trier recria a imagem de forma direta na sequência de abertura, com a personagem de Kirsten Dunst flutuando em um riacho vestida de noiva, segurando um buquê. A cena se tornou uma das citações cinematográficas mais reconhecidas da obra de Millais. As adaptações de “Hamlet” dirigidas por Laurence Olivier em 1948 e Kenneth Branagh em 1996 também se apoiam na composição visual da pintura para encenar a morte da personagem. Em “Ophelia”, de 2018, estrelado por Daisy Ridley, a tragédia ganha nova perspectiva e utiliza a paleta de cores, a iconografia floral e a atmosfera da pintura como base estética da narrativa. Até o terror encontrou espaço para essa referência, como em “A Última Casa”, de 1972, onde Wes Craven utiliza a estética da obra para criar um contraste perturbador entre beleza visual e violência extrema.

O fascínio duradouro por “Ofélia” surge da combinação entre maestria técnica, simbolismo emocional e temas universais. A estética da morte transformada em beleza, a figura feminina historicamente silenciada, a mistura entre realismo quase científico e aura onírica, a história trágica de Elizabeth Siddal e o uso da floriografia como linguagem simbólica fazem da obra um repertório visual pronto para ser reinterpretado. Ofélia deixou de ser apenas uma personagem literária ou uma pintura icônica. Ela se consolidou como símbolo, linguagem e ferramenta narrativa, capaz de atravessar séculos e continuar dialogando com as angústias, debates e sensibilidades do presente.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Compartilhe isso:

  • Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...
Temas: OféliaTaylor SwiftThe Fate of Ophelia

Conteúdo Relacionado

Cinemas/Filmes

Saiba o que chega aos cinemas em fevereiro de 2026

Texto: Ygor Monroe
29 de janeiro de 2026
Cinemas/Filmes

Netflix reforça investimento no Japão e anuncia produções para 2026

Texto: Ygor Monroe
28 de janeiro de 2026
Cinemas/Filmes

“The Moment”, filme com Charli XCX, estreia no Brasil em fevereiro

Texto: Ygor Monroe
28 de janeiro de 2026
Cinemas/Filmes

Bafta 2026 anuncia lista completa de indicados

Texto: Ygor Monroe
27 de janeiro de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “A Miss”

Texto: Ygor Monroe
28 de janeiro de 2026
Cinemas/Filmes

Travis Scott aparece em teaser inédito de “A Odisseia”

Texto: Ygor Monroe
26 de janeiro de 2026
Entrevistas

Sofia Cordeiro revela detalhes sobre novo momento na música e o recente single “Esquecer de Mim”

Texto: Ju
26 de janeiro de 2026

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

%d