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Ally Dyla fala sobre vítimas de feminicídio em seu single de estreia, “Me Priorizar” 

Texto: Ju
8 de março de 2024
em Música

Chegando no Dia Internacional das Mulheres (8 de março), e trazendo para a música um diálogo entre uma mulher vítima de feminicídio e a sociedade culpada, que sustenta estruturalmente essa violência, a cantora e compositora Ally Dyla estreia seu primeiro single oficial nas plataformas digitais, “Me Priorizar“. A faixa já está disponível em todos os apps de música. 

O som é uma composição autoral de Ally, que como uma grande admiradora de metáforas e músicas que contam histórias reais, apresenta esse novo single com reflexões, questionamentos, debates e mensagens impactantes e necessárias. É uma canção que transcende o mero entretenimento e chega para provocar/despertar consciências. 

“Me Priorizar”, como o próprio nome diz, traz o dilema da mulher, muito em pauta nos dias de hoje, sobre se priorizar frente a tantas cobranças e imposições que são colocadas sob elas, desde quando nascem. Dessa forma, carrega o questionamento, “será que me priorizar é tão fácil assim como me dizem?”.

A música escancara a culpa da sociedade na morte dessas mulheres e como ela tenta encobrir seu crime, sempre se escondendo atrás da imagem do agressor. 

No Brasil, em média, sabe-se que 4 mulheres são mortas por dia, vítimas do feminicídio, mas o que ninguém debate é que o maior culpado por essas mortes não é o homem que desferiu o golpe final, mas sim a mão invisível da sociedade que criou esses “monstros” e que continua a criá-los geração após geração.

“Quando comecei a escrever ‘Me Priorizar’ peguei alguns acordes de uma música que estava ouvindo na época, ‘Meu Pisêro’, da Duda Beat, e surgiu na minha mente a frase ‘se me priorizar fosse fácil assim’. Sou uma pessoa muito reflexiva e vivo as causas que defendo diariamente, então sempre senti uma revolta imensa de como é possível que existam pessoas que consigam ver uma mulher sendo violentada e até mesmo assassinada e ainda por cima falar que ela ‘pediu’ por aquele fim. Comecei a escrever a música como um diálogo entre a mulher que sofre com a violência doméstica e a sociedade que a culpa todo o tempo de estar naquela situação, mas parei logo no primeiro refrão, porque na época eu não acreditava na ideia”, conta a cantora sobre a composição. 

Ela ainda completa: “Tempos depois conheci meu produtor Guilherme França, ele ouviu essa parte, curtiu bastante e pediu para que eu terminasse de escrever. Quando voltei para a letra, me veio aquela sensação de que essa história não deveria ter um final feliz, pois a maioria das mulheres que vivenciam essa violência não tem esse final. Com isso, na segunda parte, eu já inicio o diálogo mostrando como o discurso muda quando a mulher infelizmente é assassinada, ou seja, a gente não vê arrependimento por parte da sociedade, mas sim a tentativa de amenizar a situação e mostrar que na verdade sempre esteve ao lado da mulher, o que é uma grande mentira”.

Com “Me Priorizar”, Ally tenta abrir os olhos da sociedade para que cada um olhe para si e enxergue a parcela de culpa que lhe cabe no assassinato das mulheres vítimas do feminicídio. Ela também reforça o quanto quer ser voz para aquelas que foram silenciadas.

“Por meio da faixa ‘Me Priorizar’ quero que as pessoas parem de fugir do que é real, mas ao mesmo tempo sintam esperança de que dá para mudar. Quero também tentar dar voz às milhares de mulheres silenciadas, que não tiveram ninguém que lutasse por elas. Quero que as mulheres se sintam enxergadas, abandonando esse sentimento de invisibilidade. Eu não sou só mais uma que vai utilizar a causa para ganhar visibilidade, vou ganhar visibilidade para que a causa seja vista”, declara a artista.

Capa do single

A capa desse single foi desenvolvida pensando que essas mulheres são a prova “morta” da falha da sociedade em protegê-las e ampará-las. Dessa forma, ela traz o grito silencioso dessas mulheres pedindo por socorro, mas ignoradas, até o momento em que são mortas, gerando uma imensa comoção social, ganhando relevância nas mídias e ao final, são enterradas como guerreiras e jogadas no esquecimento junto a todas as outras que morreram e todas as que morrerão. Usa-se as flores, como metáfora sobre elas serem entregues apenas em morte e representarem o tratamento humano e atencioso que deveria ter existido antes do fim, mas que agora não farão diferença, pois tudo se acaba com a morte. Não existem mais sonhos para se sonhar, não existe um lugar para retornar.

Estreia na música

“Me Priorizar” marca um grande passo para Ally. O novo som representa a estreia da carreira musical e aponta para onde ela quer ir como artista. Ally pretende ir muito além de só trazer músicas para as plataformas digitais, e na verdade, trabalhar pautas e histórias reais por meio da arte.  

“Minha voz não é minha quando canto. O meu corpo não é meu quando poso para as fotos. É como se eu fosse um mero instrumento de histórias que tem que ser contadas e que as pessoas precisam ouvir. Talvez nem saibam que precisem, mas onde há tanta violência e ao mesmo tempo tanta ignorância, a gente precisa de algo que nos puxem para a realidade e que nos dê esperança de que se nos posicionarmos e principalmente nos unirmos, não existe limites para onde podemos chegar. Estou muito feliz e ansiosa para cada novo passo dessa trajetória”, finaliza a artista.

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