Com ingressos oficialmente esgotados para os dias 20 e 21 de fevereiro em São Paulo, Bad Bunny confirma aquilo que os números já vinham gritando há meses: trata-se da maior potência comercial e cultural da música mundial na atualidade. O artista porto-riquenho atravessa um momento que extrapola qualquer classificação de gênero. Ele deixou de ser um fenômeno latino para se tornar um protagonista global.

A passagem pelo Brasil integra a “Debí Tirar Más Fotos World Tour”, turnê que promove o álbum de mesmo nome que rapidamente saiu de um planejamento inicial de 24 datas para impressionantes 57 apresentações ao redor do mundo. O giro começou em 21 de novembro de 2025 no Estadio Olímpico Félix Sánchez, em Santo Domingo, e se encerra em 22 de julho de 2026 no King Baudouin Stadium, em Bruxelas. Trata-se da segunda excursão totalmente em estádios da carreira, sucedendo a “World’s Hottest Tour”, que já havia elevado o patamar do artista em 2022.
Em apenas uma semana, 2,6 milhões de ingressos foram vendidos, um marco inédito para um artista latino. A própria Live Nation comparou o domínio de vendas a nomes como Coldplay, Madonna, Michael Jackson, Taylor Swift e The Rolling Stones. Os números confirmam essa dimensão. As oito apresentações realizadas na Cidade do México em dezembro de 2025 arrecadaram US$ 86,7 milhões, tornando-se a segunda série de shows mais lucrativa já registrada em um único local, atrás apenas da temporada do Coldplay em Wembley com a “Music of the Spheres World Tour”.
Os primeiros 12 concertos da nova turnê somaram US$ 107 milhões em receita, superando toda a arrecadação latino-americana da excursão anterior. O impacto comercial é acompanhado por uma construção estética e conceitual sofisticada, que reforça o discurso identitário do artista.
Antes da turnê mundial, Bad Bunny anunciou a residência “No Me Quiero Ir de Aquí”, realizada no Coliseo de Puerto Rico José Miguel Agrelot, em San Juan. Foram 30 datas dedicadas exclusivamente ao público porto-riquenho. A decisão reforçou a centralidade de Porto Rico em sua narrativa artística. Em setembro de 2025, o cantor declarou que a ausência de datas nos Estados Unidos estava ligada às operações anti-imigração conduzidas pelo ICE, gesto que ampliou o debate político em torno de sua carreira.
A estratégia de divulgação também chamou atenção. Duas cadeiras brancas Monobloc, presentes na capa do álbum, surgiram em frente a arenas ao redor do mundo, antecipando o anúncio da turnê e gerando mobilização digital massiva. O símbolo simples se transformou em ferramenta de marketing global.
No palco, o espetáculo apresenta uma estrutura grandiosa. Em algumas cidades, a produção incorporou o B-stage apelidado de “La Casita”, réplica de uma casa rural porto-riquenha, ampliando o aspecto cultural do show. A cada noite, após “Mónaco”, o artista inclui uma música exclusiva que jamais se repete na turnê, criando uma experiência única para cada cidade. Esse recurso reforça o senso de evento irrepetível, elemento decisivo na venda acelerada de ingressos.
O repertório equilibra momentos recentes e hits consolidados como “Tití Me Preguntó”, “Me Porto Bonito”, “Dakiti”, “Ojitos Lindos”, “La Canción”, “El Apagón” e “Safaera”. Em diferentes datas, convidados surpresa dividiram o palco, entre eles Romeo Santos, J Balvin, Karol G, Becky G e Julieta Venegas. As participações ampliam o diálogo regional e consolidam a turnê como vitrine do pop latino.
O momento simbólico ganhou força após a apresentação no intervalo do Super Bowl 2026, evento que tradicionalmente legitima artistas como figuras centrais da cultura pop norte-americana. A performance funcionou como consagração definitiva de um artista que já liderava rankings, mas que agora ocupa também o centro do imaginário global.
No Brasil, a expectativa gira em torno de uma produção que combina potência sonora, narrativa visual e identidade cultural muito clara. Bad Bunny chega ao país com o status de artista que redefiniu a escala da música latina no circuito internacional, transformando turnês em acontecimentos históricos e consolidando um novo eixo de poder dentro da indústria.
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