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Bad Bunny no Super Bowl 2026 marca virada histórica para a música latina

O show do intervalo do Super Bowl 60, realizado neste domingo (8), entrou para a história ao ser a primeira apresentação solo inteiramente em espanhol no maior evento esportivo dos Estados Unidos. No Levi’s Stadium, em Santa Clara, Bad Bunny ocupou um espaço que, por décadas, funcionou como vitrine da indústria pop anglófona e transformou o intervalo da final da NFL em um marco cultural para a música latina.

Show de Bad Bunny no Super Bowl 2026 marca virada histórica para a música latina

A escolha de um artista que construiu sua trajetória sem abandonar o espanhol e sem moldar sua identidade artística ao padrão tradicional do mercado norte-americano representa uma ruptura simbólica dentro da lógica do entretenimento de massa dos Estados Unidos. O Super Bowl é, historicamente, um território de consagração da cultura pop hegemônica. Em 2026, esse território foi atravessado por uma performance que colocou o reggaeton e a cultura porto-riquenha no centro do espetáculo global.

A apresentação começou com “Tití Me Preguntó” e percorreu diferentes fases da carreira do artista, incluindo faixas do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, como “DtMF” e “NUEVAYoL”. O setlist funcionou como um recorte curatorial da trajetória de Benito, conectando o Bad Bunny do circuito latino ao artista que hoje ocupa posições centrais na indústria musical mundial. A produção apostou em cenários amplos, coreografias sincronizadas e uso total do espaço do estádio, reforçando a dimensão épica do momento.

O palco foi compartilhado com participações especiais de Lady Gaga, Ricky Martin e Karol G, ampliando o caráter simbólico da apresentação como um encontro de gerações e estéticas da música pop e latina. A presença de convidados de diferentes origens reforçou a ideia de que o show foi pensado como uma celebração coletiva da cultura latina em um espaço de poder simbólico global. Aparições de nomes como Cardi B e Pedro Pascal também ajudaram a ampliar o alcance midiático do espetáculo.

O impacto do show, porém, ultrapassa a dimensão musical. A apresentação de Bad Bunny acontece em um momento de forte tensão política nos Estados Unidos, marcado pelo endurecimento do discurso contra imigrantes e pela atuação de órgãos de controle migratório, como o ICE, frequentemente criticados por organizações de direitos humanos. Nas semanas que antecederam o Super Bowl, o artista havia se posicionado publicamente sobre o tema, o que deu ao show um significado político implícito, ainda que o discurso tenha sido construído principalmente por meio de símbolos, escolhas estéticas e repertório.

Ao ocupar o maior palco da televisão norte-americana sem recorrer ao inglês como idioma principal, Bad Bunny promoveu um gesto de afirmação cultural. O espanhol, tratado por décadas como um idioma periférico dentro da indústria pop dos Estados Unidos, foi colocado no centro do espetáculo mais assistido do país. Esse movimento dialoga diretamente com a presença massiva de comunidades latinas no território norte-americano e com a disputa simbólica por pertencimento e reconhecimento cultural.

O show também consolidou um movimento que já vinha sendo observado na indústria musical global. O sucesso internacional de Bad Bunny, reforçado pela vitória recente em grandes premiações e pelo desempenho comercial do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, aponta para um esgotamento da lógica do crossover tradicional, em que artistas latinos precisavam migrar para o inglês para alcançar o topo do mercado. Em 2026, o maior palco da cultura pop esportiva foi ocupado por um artista que chegou ao centro do sistema sem abrir mão de sua identidade linguística e estética.

Dentro do contexto do Super Bowl, a performance representou uma virada simbólica para o entretenimento de massa nos Estados Unidos. O evento, patrocinado pelo Apple Music, mostrou que a indústria reconhece o peso comercial, cultural e político da música latina no consumo global. Ao transformar o estádio em um grande palco de celebração da cultura porto-riquenha, o show reposicionou o reggaeton e o pop latino como forças centrais do imaginário pop contemporâneo, e não mais como nichos.

O intervalo aconteceu durante a final entre Seattle Seahawks e New England Patriots, com os Seahawks em vantagem no placar no momento da apresentação. Ainda assim, o jogo acabou se tornando coadjuvante na narrativa midiática do dia. O foco do noticiário e das redes sociais se voltou para o impacto simbólico do show, que rapidamente passou a ser descrito como um dos mais politizados e representativos da história do Super Bowl.

Ao fim da apresentação, o que ficou foi a consolidação de um novo capítulo na relação entre cultura pop, política e representatividade nos Estados Unidos. O show de Bad Bunny no Super Bowl 2026 se impõe como um marco para a música latina no circuito global, ao mesmo tempo em que expõe as tensões de um país que consome massivamente a cultura latina, mas segue em conflito com a presença social e política de comunidades imigrantes. É nesse atrito entre celebração cultural e disputa política que o espetáculo encontra seu peso histórico.

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