Depois de conquistar uma base fiel como influenciadora e de ganhar ainda mais visibilidade no reality “Corrida das Blogueiras”, Barbit dá um passo ousado e definitivo em direção à música com o lançamento de seu primeiro EP, “Barbitch”. Disponível nas plataformas digitais, o projeto chega com sete faixas que misturam pop, funk e eletrônica, firmando sua estética sonora, sua persona dominante e a força de uma travesti em pleno comando da própria narrativa artística.
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Mais do que um compilado de músicas, “Barbitch” é uma afirmação de identidade e resistência. “O EP inteiro flerta com essa proposta: transformar a dor e o preconceito em empoderamento, e devolver para o mundo, em forma de arte, tudo o que tentaram usar como arma contra as travestis”, explica a artista. Com participações de Mia Badgyal, Traemme, Wanessa Lobato e Veggiezinha, todas mulheres trans ou travestis, o projeto também se constrói como uma rede de afetos e trocas reais.
“Não venho de uma formação artística tradicional. Não nasci no teatro, nem na dança. Mas com as conexões que criei ao longo dos anos, principalmente por causa da internet, eu consegui me cercar de pessoas que acreditam no meu trabalho”, diz Barbit. E é nessa confiança que ela encontra espaço para transformar vulnerabilidade em potência, desejo em ferramenta, e arte em afirmação política.
A sonoridade do EP é uma amálgama vibrante de batidas eletrônicas e ritmos dançantes, com produção assinada por nomes como RKills (do Cyberkills, duo responsável por hits de Pabllo Vittar e Irmãs de Pau), Bruninho XM (de “Bebê Fogosa”) e PZS. É um trabalho que já nasce com o selo sonoro do melhor da cena queer eletrônica atual. Ainda assim, Barbit não se prende a rótulos. “Nem sei exatamente qual é o meu estilo. Eu sei que é pop, sei que é rap, sei que tem uma coisa eletrônica, mas é tudo um babado louco. E é isso que faz sentido pra mim agora”, afirma.
No centro de tudo está a persona Barbitch: dominadora, sensual, hiperfeminina e, acima de tudo, no controle. A artista se apropria das estruturas que historicamente marginalizaram mulheres trans e subverte com ironia, ousadia e arte. “As travestis quase nunca são colocadas no centro dessas narrativas sexuais sem serem fetichizadas ou marginalizadas. Eu venho pra mostrar que sou eu quem manda, quem domina, quem dita. E os homens continuam gostando, porque é sobre isso”, diz, rindo.
A performance é extensão direta desse conceito. No palco, Barbit já estreou com um show na festa Bafo, abrindo para as Irmãs de Pau, um de seus maiores referenciais artísticos. “Foi um marco. Estar ali, sendo assistida por mulheres que pavimentaram esse espaço, me deu uma sensação de continuidade”, diz. O show entrega tudo: dançarinos usando máscaras de cachorro, corrente, coleira e uma Barbit seminuamente estonteante, com cabelos de 80 cm e presença de diva, enquanto as batidas invadem a pista. A performance é pensada para ser visualmente impactante e sensorialmente dominante.
A estética do projeto também é uma obsessão. Desde o visualizer de “Cachorra”, lançado antes do EP, até a capa de “Barbitch”, ilustrada por Quimera Vermelha (que já assinou trabalhos para Anitta, Bob The Drag Queen e Violet Chachki), tudo parte de um conceito criativo guiado pela própria artista. “Eu sou minha própria diretora, minha produtora, minha roteirista. Tudo sai da minha cabeça. Mas agora tô aprendendo a dar tempo pra música, entender que as coisas têm seu ritmo”, revela.
Com “Barbitch”, Barbit assume de vez o papel de artista pop com algo a dizer. Sua estreia é barulhenta, feroz, intencional e anuncia o surgimento de uma voz que promete transformar não só o som, mas a forma como o pop brasileiro encara a presença trans em sua linha de frente. Para ela, é apenas o começo. E se esse é o ponto de partida, já está claro que o destino é alto.
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