A quarta temporada de “Bridgerton“ aprofunda a adaptação de “Um Perfeito Cavalheiro”, terceiro livro da série escrita por Julia Quinn, e aposta em maior fidelidade ao material original no que diz respeito ao casal central. Ainda assim, a produção da Netflix promove mudanças relevantes em personagens e linhas narrativas que já ganharam autonomia ao longo dos anos.

A condução da temporada ficou sob responsabilidade da showrunner Jess Brownell, que havia sinalizado uma adaptação mais próxima do livro. No eixo principal, o romance entre Benedict Bridgerton e Sophie Baek mantém a estrutura conhecida do público leitor, mas o entorno da trama apresenta alterações importantes.
Entre as diferenças mais visíveis está o sobrenome da protagonista. Nos livros, Sophie se chama Sophie Bennett. Na série, o nome foi alterado para Sophie Baek, incorporando a ascendência coreana da atriz Yerin Ha. A mudança reforça a proposta de diversidade já estabelecida pela produção e reposiciona a personagem dentro do universo televisivo.
Outro ponto que distancia livro e série é o arco da rainha Charlotte e de Lady Danbury. Personagem criada para a televisão, a rainha interpretada por Golda Rosheuvel não tem presença relevante na primeira metade de “Um Perfeito Cavalheiro”. Já Lady Danbury, vivida por Adjoa Andoh, assume na série um desejo de romper com sua posição ao lado da monarca e explorar novos caminhos. No romance, sua participação é pontual e ligada diretamente ao encontro entre Benedict e Sophie.
A linha do tempo também foi ajustada. Na obra original, a história de Benedict acontece antes da de Colin, o que significa que Francesca ainda não está casada. Na adaptação televisiva, porém, Francesca e John já vivem como marido e mulher há cerca de um ano e enfrentam conflitos de intimidade, ampliando o espaço dramático da personagem dentro do conjunto da temporada.
A matriarca Violet Bridgerton também ganha mais profundidade. Nos livros, sua atuação se concentra no apoio ao filho durante a busca pela misteriosa Dama de Prata. Na série, a personagem vivida por Ruth Gemmell passa a desenvolver um arco próprio ao lado de Lord Marcus Anderson, interpretado por Daniel Francis, trazendo à narrativa discussões sobre desejo, autonomia e recomeço.
No campo romântico, uma das alterações mais comentadas envolve a cena do lago. No livro, após o beijo, Benedict rapidamente propõe que Sophie se torne sua amante. Já na série, há um afastamento temporário entre os dois. Sophie retorna a Londres, passa a trabalhar para os Bridgerton e o pedido acontece apenas depois de um novo encontro, nas escadarias, reorganizando o ritmo da relação.
A temporada também resgata Cressida, personagem que nos livros tem maior relevância apenas na história de Colin e Penelope. Na série, ela retorna casada com o novo Lorde Penwood, movimento que altera a dinâmica social ao redor da família e influencia diretamente a mudança de residência de Araminta e suas filhas.
Por fim, uma das decisões mais significativas da adaptação envolve a morte de John. Nos livros, o falecimento do primeiro marido de Francesca ocorre apenas em “O Conde Enfeitiçado”, volume dedicado à própria personagem. A série antecipa o acontecimento para reorganizar a cronologia e preparar o terreno para a futura história de amor de Francesca com Michaela, versão feminina do personagem Michael nos romances.
Com essas escolhas, a quarta temporada de “Bridgerton” equilibra fidelidade estrutural ao romance de Julia Quinn e liberdade criativa para expandir personagens que se consolidaram no formato televisivo. O resultado é uma adaptação que dialoga diretamente com os leitores, mas assume identidade própria diante do público da série.
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