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Bryan Adams mostra força do rock clássico em apresentação memorável em SP

Poucos nomes do rock conseguem manter uma relação tão direta com o público quanto Bryan AdamsSuas músicas ultrapassaram o rádio, os discos e os anos, tornando-se parte da memória afetiva de milhões de pessoas. Em São Paulo, o artista canadense demonstrou que esse vínculo permanece tão forte quanto no auge de sua carreira.

Bryan Adams mostra força do rock clássico em apresentação memorável na Vibra São Paulo

Na noite deste sábado (7), o cantor canadense subiu ao palco da Vibra São Paulo com a turnê “Roll With The Punches Tour” e entregou um espetáculo que funcionou ao mesmo tempo como celebração de carreira e demonstração de vitalidade artística. Mais de quatro décadas após se tornar um dos nomes centrais do rock radiofônico mundial, Adams continua mostrando por que suas músicas permanecem tão presentes no imaginário do público.

A apresentação começou com expectativa crescente. Por volta das 21h50, as luzes se apagaram e os telões exibiram animações relacionadas ao disco “Roll With The Punches”, lançado em 2025. Antes da entrada do artista, uma sequência de clássicos do rock ecoou pelo sistema de som, reunindo referências fundamentais do gênero como “Johnny B. Goode”“Tutti Frutti” e “Rock This Town”. Era uma introdução simbólica, quase um lembrete das raízes musicais que moldaram a carreira de Adams.

Então veio a primeira surpresa da noite. Sob gritos intensos da plateia, Bryan Adams surgiu no meio do público, quebrando a lógica tradicional de entrada no palco. Ali mesmo iniciou “Can’t Stop This Thing We Started”, criando um momento de proximidade imediata com os fãs. Em seguida vieram “Straight From the Heart” e “Let’s Make a Night to Remember”, formando um começo que já definia o tom da apresentação.

Ao final da terceira música, Adams lançou a promessa que guiaria toda a noite. Disse que São Paulo teria “uma noite para lembrar”. A frase poderia soar como um clichê de palco. No entanto, ao longo das duas horas seguintes, ficou evidente que o artista estava determinado a cumprir exatamente isso.

Depois do início entre o público, o cantor seguiu para o palco principal, onde estava acompanhado de sua banda. O guitarrista Luke Doucet, substituindo o histórico parceiro Keith Scott, o baterista Pat Steward e o tecladista Gary Breitformaram uma base sólida que manteve o show pulsando do começo ao fim. Em diversos momentos, Adams fez questão de destacar o talento dos músicos, reforçando o espírito coletivo da apresentação.

Os primeiros grandes clássicos vieram rapidamente. “Run To You” e “Somebody” transformaram a casa de shows em um grande coro coletivo, enquanto Adams demonstrava uma energia que desafiava qualquer ideia de nostalgia passiva. Aos 66 anos, sua presença de palco continua dinâmica, marcada por movimentação constante, interação direta com os fãs e uma entrega vocal impressionante.

Entre uma música e outra, o artista também demonstrou seu tradicional bom humor. Em tom descontraído, comentou sobre a forma como seu nome costumava ser pronunciado no Brasil e celebrou o retorno ao país antes de iniciar “18 til I Die”. O clima leve dominou boa parte da noite. Adams arriscou palavras em português, distribuiu palhetas para o público e manteve uma comunicação constante com quem estava na grade.

Essa relação próxima sempre foi uma marca do artista, mas ganha um peso especial no Brasil. Durante décadas, suas músicas fizeram parte da trilha sonora de novelas, rádios e momentos marcantes da cultura pop nacional. Não surpreende que cada acorde fosse recebido com entusiasmo quase imediato.

O repertório trouxe uma sequência poderosa de sucessos. “Heaven”“Please Forgive Me”“It’s Only Love” e “Have You Ever Really Loved a Woman?” apareceram como pontos de catarse coletiva. Nesta última, Adams alterou o verso final para “have you ever really loved a brasileira?”, arrancando gritos da plateia.

Naturalmente, o ponto máximo da nostalgia veio com “(Everything I Do) I Do It for You”, balada que dominou as paradas internacionais nos anos 90 e permanece como uma das canções mais reconhecidas do cantor. Logo depois, “Summer of ’69” explodiu no ambiente com energia renovada, provando que algumas músicas parecem ganhar força conforme o tempo passa. Mas o show também encontrou espaço para o presente.

Faixas do disco “Roll With The Punches” surgiram ao longo da noite, incluindo a música-título, “Make Up Your Mind” e “Will We Ever Be Friends Again”. Mesmo recentes, foram recebidas com entusiasmo, sinal de que o público acompanha com interesse as novas fases da carreira do artista.

A produção visual também trouxe momentos marcantes. Durante “Roll With The Punches”, uma enorme luva de boxe inflável passou sobre a plateia. Em “So Happy It Hurts”, um carro inflável apareceu sobre o público, reforçando o caráter lúdico do espetáculo.

Outro elemento que ajudou a criar atmosfera foi a distribuição de pulseiras luminosas, que mudavam de cor conforme as músicas. Em “The Only Thing That Looks Good on Me Is You”, os acessórios transformaram a plateia em um mosaico vibrante de luzes, criando um dos visuais mais impactantes da noite.

Ao longo de aproximadamente 2 horas e 15 minutos, Bryan Adams apresentou um repertório de cerca de 30 canções, alternando momentos elétricos e passagens acústicas. Em alguns trechos, bastava a presença do cantor com um violão para que a vibração da plateia se mantivesse intensa.

Esse tipo de domínio de palco explica por que o canadense continua sendo uma figura central do rock popular. Desde o lançamento de “Reckless” em 1984, disco responsável por levá-lo ao estrelato mundial, Adams construiu uma carreira que ultrapassa 100 milhões de discos vendidos e inclui prêmios como Grammy, American Music Awards e indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro.

Mais importante do que os números é a permanência cultural dessas músicas. Elas continuam funcionando ao vivo com a mesma força emocional de décadas atrás.

No encerramento da apresentação, ficou a sensação de que Bryan Adams domina um território raro dentro da música contemporânea. Ele pertence a uma geração de artistas capazes de transformar shows em encontros afetivos entre diferentes épocas da vida do público.

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