Mudar de casa ou de cidade costuma ser um processo marcado por caixas empilhadas e caos logístico. Para o cantor e compositor catarinense Bryan Behr, no entanto, a transição de volta para seu estado natal ganhou contornos de trilha sonora. Em seu quarto álbum de inéditas, intitulado “Bela Vista, 133”, o artista transforma o endereço real de seu antigo apartamento em São Paulo no cenário e tema central de um projeto íntimo e contemplativo. O álbum chega às plataformas digitais nesta quinta-feira (30).

Indicado ao Grammy Latino em 2023 pelo álbum “Bryan Behr – Ao Vivo em São Paulo” e dono do hit “A Vida é Boa Com Você” (que soma mais de 2 bilhões de criações nas redes sociais), o músico optou por registrar as novas composições no próprio local onde viveu nos últimos anos. Entre o empacotamento dos pertences e a gravação dos instrumentais, o disco nasceu em um estúdio improvisado dentro do imóvel.
“A ideia de sair de São Paulo e ir para Santa Catarina novamente já existia quando o álbum começou a ser escrito. Criamos uma trilha sonora para registrar esse apartamento que foi minha casa durante tanto tempo”, revela Bryan em entrevista ao Caderno Pop. “Eu estava lá fechando caixa ao mesmo tempo que estávamos mixando e gravando guitarra. Mudança geralmente é algo caótico, e foi muito mais fácil lidar com tudo fazendo música simultaneamente.”
Narrativa entre o concreto e o regresso
A porta de entrada do projeto é a faixa foco “Concreto, Ferro e Saudade”, que abre a tracklist de 12 canções. A sonoridade transita entre a MPB, o pop acústico e o indie, retratando o choque cultural e a busca por adaptação na metrópole.
Segundo o cantor, a sequência das faixas foi estruturada para desenhar essa jornada de partida: “A música fala da pressa de São Paulo e de mim tentando me adaptar a uma cidade tão maior do que a que fui criado. O álbum começa com essa faixa e termina com ‘Volto Logo’, que escrevi para a minha mãe. Essa narrativa foi construída intencionalmente na ordem das faixas.”
Processo artesanal na contramão da pressa
Lançado de forma independente e com produção assinada por Flávio Ferrari ao lado do próprio Bryan, Bela Vista, 133 prioriza a desaceleração criativa. Para o artista, a autonomia permitiu defender um ritmo de produção mais humano em meio ao dinamismo do mercado digital.
“Nunca deixei que a minha carreira apressasse a minha vida. Fazer um álbum é um processo quase artesanal. Vivemos em um mundo muito digital onde a atenção das pessoas é o produto mais disputado. Sempre fui na contramão disso tudo, porque as músicas, ao contrário da gente, duram para sempre”, reflete.
Com mixagem de Dani Mariano e Thiago Baggio e masterização realizada nos Estados Unidos por Felipe Tichauer (Redtraxx Mastering), o álbum consolida um momento de maturação profissional para o músico, que hoje ultrapassa a marca de 500 mil ouvintes mensais no Spotify.
“Construir um álbum é um jeito de fotografar e marcar o tempo. Poder escolher o repertório com liberdade e trazer os amigos para perto foi a coisa mais importante para esse momento da minha carreira”, conclui o cantor.
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