Quem acompanhou Caio Mutai em “As Five” e “O Coro” vai encontrar um ator bem diferente em seus próximos trabalhos. Ainda neste mês, dois novos projetos chegam ao público mostrando outras faces do artista: no filme “Furnas Fundas” e na série “Ayô”, ele assume personagens que não apenas transitam por universos opostos, mas também apresentam transformações visuais importantes em relação ao que o público já conhece de sua trajetória.

Em “Furnas Fundas”, Caio vive Yukun em uma narrativa que mistura terror, fantasia, humor e sátira. Logo depois, mergulhou em outro registro para interpretar Iago em “Ayô”, criação de Lucas Oranmian com direção geral de Yasmin Thayná.
“Com certeza a caracterização. Furnas foi o trabalho que mais mexeu comigo em muitos sentidos, mas sem dúvida o visual diferente é o mais chocante. Era muito estranho me ver daquele jeito. É impressionante como mudar algo em si traz tantas camadas novas para somar na construção. E logo em seguida veio Ayô, num outro lugar completamente diferente.”
A experiência também marca uma diferença em relação a “As Five” e “O Coro”, trabalhos que Caio gravou simultaneamente. Embora os personagens fossem distantes em personalidade, havia maior proximidade visual entre eles.
“Eu gravei O Coro e As Five juntas, então, embora meus personagens fossem muito distantes entre si de personalidade, a minha aparência era muito próxima de um personagem do outro. Aqui vocês vão ver literalmente duas pessoas e nenhuma delas é o Caio.”
Em “Furnas Fundas”, a multiplicidade de gêneros exigiu uma construção que não dependesse de antecipar se cada cena seria percebida como terror, drama ou comédia. Para Caio, a solução foi se concentrar na situação e manter a lógica do personagem.
“Como é um filme que flerta com muitos caminhos ao mesmo tempo, o desafio pra mim era não pensar em nenhum deles. Eu tenho cenas de extrema violência, sem qualquer resquício de comédia, mas faço parte de cenas extremamente engraçadas também. O personagem é o mesmo, então eu pensava na cena, na situação em si e não em como aquela cena iria soar para o público.”
O ator explica que o humor surge principalmente do universo ao redor de Yukun, o que lhe permitiu aprofundar os aspectos mais sombrios do personagem sem tentar equilibrá-los artificialmente.
“O humor não vem do meu personagem em si, mas do que acontece em volta, das situações em que as cenas vão se desenrolando ao longo do filme. Eu podia pesar no horror à vontade, na verdade, sem me preocupar muito, pois a própria linguagem do filme traria o humor e os contrapontos necessários.”
Já em “Ayô”, o ponto de partida foi justamente a proximidade com a realidade. Para construir Iago, Caio encontrou nas conversas com Lucas Oranmian e Yasmin Thayná uma dimensão mais concreta daquela história.
“O principal foi entender que o Iago existe na vida real, muito mais do que gostaríamos que existisse. Essa história inteira é assim. Todos aqueles personagens são pessoas bem reais, são nossos amigos, nossos familiares. Essa história é definitivamente uma história real.”
A presença de Lucas como criador e também parceiro de cena foi determinante durante o processo. Caio compara essa experiência à que viveu em “O Coro”, ao lado de Miguel Falabella, pela possibilidade de trabalhar próximo de alguém que conhecia profundamente a função daquele personagem dentro da narrativa.
“Ter o Lucas como parceiro de cena, mas principalmente como nosso criador, foi uma experiência muito parecida com O Coro, com o Miguel Falabella. Ter ali alguém que sabia exatamente quem era aquele personagem e qual a função dele pra história era um privilégio enorme.”
Na direção, Yasmin Thayná completou essa construção em sintonia com o criador. “Dizia sem pudores o que não funcionava, mas também não economizava em celebrar os bons caminhos”, conta Caio.
Entre um personagem atravessado pelo horror e outro cuja força nasce justamente de parecer familiar demais, Caio Mutai chega aos novos projetos ampliando o território que ocupa no audiovisual. E deixa a melhor definição dessa nova fase em uma frase: desta vez, o público verá “literalmente duas pessoas e nenhuma delas é o Caio”.
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