Entre o prazer e o autoconhecimento, Cali transforma vivências em música no álbum de estreia “Trama”, que chegou a todas as plataformas digitais nesta sexta-feira, 23 de janeiro. Natural de Porto Ferreira, no interior de São Paulo, a cantora e compositora apresenta um trabalho construído ao longo dos últimos anos e que consolida um percurso artístico iniciado em 2017, revelando nacionalmente uma voz autoral ligada ao que ela define como “pop brasuca”.

Com sonoridade que transita entre timbres urbanos, texturas eletrônicas e influências da música latino-americana, “Trama” mantém o vínculo com a canção pop ao mesmo tempo em que aposta em identidade, dança e emoção. “O álbum é um refresco pop autêntico e atual, mas que também coloca os pés do ouvinte no chão”, define Cali.
Entre as referências citadas pela artista estão nomes como Sevdaliza, Rosalía e Frank Ocean, que inspiram a busca por arranjos e atmosferas pouco óbvias, além de artistas brasileiros como BaianaSystem, Rita Lee, Céu e Marina Sena, fundamentais para a construção dessa identidade híbrida, que trata a latinidade como linguagem afetiva e política. A produção é assinada por Kafé, parceiro de lançamentos anteriores como “Sozinha”, faixa que já ultrapassa 100 mil plays no Spotify. “Foi um match perfeito da minha intenção como cantautora com a aptidão dele como produtor”, afirma Cali.
As faixas de “Trama” se organizam em duas grandes vertentes temáticas. De um lado, o desejo, a sexualidade e o prazer aparecem de forma madura e afirmativa em músicas como “Baile”, “Baixaria”, “Mania” e “Emocionada”. Do outro, surgem composições mais profundas, conectadas às raízes, ao poder feminino e a dores antes difíceis de nomear, como “Fome”, “Trama”, “Lado ruim” e “Me sinto bem”. Já “Piranha romântica” e “Qq cê sabe de mim?” transitam entre essas duas camadas.
“No geral, são coisas que vivo, entendo o sentimento daquela vivência pra mim e coloco pra fora. Às vezes, as letras são coisas que preciso reafirmar pra mim mesma”, explica a artista. As músicas foram criadas ao longo de dois anos, em processos que vão do violão intuitivo às experimentações com beats, sempre guiadas pela escuta interna.
O lançamento acontece em um momento simbólico para Cali, que concluiu a faculdade de música e completou 27 anos no fim de 2025. “Apresentar esse álbum pro mundo nesse momento de fechamento de ciclos é muito especial, parece certo”, afirma. Após a boa recepção de “Fome” e “Mania”, lançadas em 2025, a artista reconhece a conexão com seu público: “Gente que gosta de refletir rebolando”, brinca.
Inspirado em reflexões pessoais e terapêuticas, o título “Trama” simboliza os laços, histórias e nós que formam quem somos. “É sobre esse novelo de coisas que nos compõe e que precisa ser forte, bem costurado, pra que a gente encare a vida de cabeça erguida”, resume Cali. Ao costurar essas experiências em música, a artista apresenta ao Brasil uma estreia marcada por identidade, profundidade e desejo de permanência.
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