O Carnaval é sempre uma disputa silenciosa. Não apenas pelos trios elétricos mais disputados ou pelos blocos mais cheios, mas pelo título simbólico de hit da temporada, aquela música que atravessa fevereiro, domina março e segue ecoando até o São João. Em 2026, a corrida já começou, e ela não acontece só nas ruas. Ela está nas plataformas, nas coreografias virais e na velocidade com que o refrão gruda na cabeça do público.

Entre as favoritas, um fenômeno que nasceu da internet ganha corpo nas multidões. A sergipana Yasmin Sensação viu sua carreira mudar de escala depois que “Fanatismo” explodiu nas redes sociais. A faixa, uma versão de um sucesso angolano, saiu do circuito digital para os paredões, dos paredões para os ensaios de verão e, agora, para os blocos. Não é apenas um viral. É um caso de timing perfeito entre rede social e rua, algo que define a lógica dos hits atuais. Enquetes populares já apontam a música como favorita e, se depender da força orgânica do público, ela larga na frente.
Mas Carnaval também é território de veteranos que sabem jogar o jogo. Ivete Sangalo entrou na disputa com “Vampirinha”, lançada estrategicamente em janeiro, mirando o pré-Carnaval. Ivete entende como poucos a engrenagem da folia. Sua presença nos trios, sua leitura de público e seu histórico de sucessos sazonais fazem com que qualquer aposta sua seja levada a sério. “Vampirinha” tem a fórmula da repetição certeira, do refrão que pede coro coletivo e da coreografia fácil de replicar. Ivete não lança música para tocar. Lança para acontecer.
No campo das parcerias explosivas, “JetSki” reúne Pedro Sampaio, Melody e MC Meno K. A faixa já figura entre as mais ouvidas do Spotify Brasil e encontrou na coreografia seu principal combustível. É o tipo de música que nasce pronta para o TikTok e, quando chega ao Carnaval, já vem testada e aprovada por milhões de reproduções. Melody, aliás, vive uma fase de consolidação curiosa: saiu da condição de aposta juvenil para se tornar presença constante nas playlists mais populares do país.
Ela também aparece em outra colaboração de peso, “Desliza (Olhinho no Corpinho)”, ao lado de Léo Santana. Léo construiu uma tradição quase anual de hits de verão, uma espécie de compromisso informal com a estação mais quente do calendário musical brasileiro. Quando ele entra na disputa, o mercado observa. Existe uma expectativa criada em torno do seu nome, e isso pesa na corrida pelo topo.
A Bahia, aliás, segue ditando parte do ritmo da festa. “Carnaval”, parceria de Marina Sena com o Psirico, trouxe o pagodão para o centro do debate novamente. A faixa cresceu rápido nos rankings e mostra como o gênero mantém vitalidade, reinventando-se sem perder identidade. Marina, que transita com naturalidade entre o pop alternativo e a cultura popular, encontrou no encontro com o Psirico uma ponte interessante entre públicos.
E há ainda o peso de uma estratégia maior. “Gostosin”, de Anitta, Felipe Amorim e o HITMAKER, integra o projeto “Ensaios da Anitta”, pensado justamente para abastecer o período carnavalesco. Anitta raramente deixa algo ao acaso. Seus movimentos são calculados, suas datas são pensadas e seu repertório costuma dialogar diretamente com a pista. Quando ela mira o Carnaval, mira com estratégia industrial.
A pergunta permanece: o que define um hit carnavalesco hoje? Streaming? Coreografia viral? Execução em trio elétrico? Talvez seja a soma de tudo isso. O Carnaval de 2026 mostra que o título não pertence mais apenas aos veteranos nem exclusivamente aos fenômenos digitais. Ele é resultado de uma engrenagem que mistura algoritmo, tradição e rua.
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