Uma praça da Andaluzia medieval, há exatamente mil anos, serve de cenário para uma comédia que mistura humor, crítica e história. Esse é o ponto de partida de “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia”, monólogo autoral protagonizado por Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, que estreia no dia 21 de janeiro de 2026 no Teatro MorumbiShopping, em São Paulo. Os ingressos já estão disponíveis.

Na trama, o barbeiro-curandeiro Raí improvisa tratamentos para sobreviver em meio à precariedade e à falta de conhecimento científico da época. Entre cortes de cabelo, extrações de dentes, sangrias, rezas e curas duvidosas, o personagem atende aldeões enquanto expõe, de forma cômica, as tensões entre fé, ciência, ignorância e poder. O que começa como ofício e charlatanismo se transforma em uma jornada inesperada quando Raí passa a questionar o que, afinal, pode ser considerado conhecimento verdadeiro.
Com humor físico, ritmo ágil e fala direta com o público, o espetáculo combina sátira histórica e comédia popular, conduzindo a plateia por reflexões que ultrapassam o riso fácil. Aqui, o humor funciona também como ferramenta crítica, provocando reflexões sobre como ainda lidamos com o corpo, a dor, o medo e a desinformação.
O texto de Emerson Espíndola dialoga com uma tradição narrativa que remete às contações de histórias populares e educativas, muito presentes na televisão dos anos 1990. Sem perder a velocidade contemporânea, a peça aposta em um tom de fábula e curiosidade, conduzindo o público com clareza, surpresa e envolvimento.
Embora fictícia, a narrativa é atravessada por referências e informações históricas reais, convidando o espectador a reconhecer costumes, termos e práticas que atravessaram séculos. Esse contraste entre passado e presente se transforma em parte central do humor e da camada crítica do espetáculo, despertando aquele efeito de descoberta que conecta aprendizado e entretenimento.
A encenação reforça esse diálogo com o público por meio de uma fisicalidade precisa e de um fluxo contínuo de ações e imagens. Na direção, Ivan Parente utiliza elementos da tradição da commedia dell’arte, como presença frontal, energia de jogo e comicidade baseada na ação, criando um teatro direto, vivo e popular.
No palco, Emerson Espíndola se afirma como contador de histórias, transportando para o teatro o domínio do storytelling desenvolvido também em sua forte presença digital. Entre as referências assumidas no processo criativo está Dario Fo, cuja tradição de monólogo satírico e popular ecoa na forma como a peça utiliza o riso para iluminar contradições humanas e estruturas sociais.
Mais do que uma aula de história ou um exercício de humor, “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” propõe o teatro como experiência compartilhada, encontro ao vivo e espaço de reflexão acessível, provocadora e divertida.
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