Comemorando aniversário, Gaê lança primeiro álbum da carreira em março

Foto: Mandy Mirella

Foram 30 longos meses de produção, de total entrega e de incertezas. Quando Gaê deixou Brasília para descobrir as esquinas de São Paulo, as expectativas por este momento já existiam. Os obstáculos, contudo, também já estavam na espreita para que o entrelaçar dessas duas pontas costurassem o álbum “Eu Não Quis Dizer Isso”. Composto por uma introdução e mais nove faixas, três delas com participação de Bemti, Renato Enoch e Isabela Moraes, o álbum será lançado em todas os aplicativos de música na quarta-feira (9) – aniversário do artista.

Não inadvertidamente a data que comemora mais uma volta de Gaê em torno do sol foi escolhida para apresentar o artista, com seus sentimentos e dualidades, ao cenário autoral da MPB. “É a primeira vez que reúno tantas canções minhas em uma dramaturgia e as apresento como se dissesse ‘este sou eu’. E eu sou profundamente marcado por contradições, ambiguidades e pulsões que escondo (como todos)”, afirma o cantor que, bem como muitos outros artistas, carrega o impacto da pandemia na obra que lança agora.

A produção começou em 2020 e apenas a faixa “Geladeira” – já lançada como single – foi gravada antes do processo ter de ser interrompido por conta do problema de saúde pública. “Sabemos que a pandemia teve impactos imensuráveis na vida de artistas que perderam shows, mas para artistas em produção também foi muito custoso, financeira e mentalmente, esgarçar a produção assim”, destaca.

PARTICIPAÇÕES

Graças à pausa forçada, o álbum também sofreu com remodelações. Algumas faixas caíram, como “Ao Avesso”, que está disponível no EP “Só – A Dois”, lançado em 2020, e outras foram inseridas, como “Abrir-Se” (último single lançado) e “Outro-Labirinto” – música sobre a pandemia, que só entrou no álbum depois do hiato causado pela quarentena.

Com direção artística de Rafael DaMata e produção musical de Cauê Lemes, o álbum também conta com participações especiais que agregam à voz grave e doce de Gaê. “Bemti tinha produzido ‘Ipê Amarelo’ e estava produzindo ‘Onde Está A Estrela?’ junto com o Cauê Lemes. Desde o começo tinha gostado muito da música e foi natural chamá-lo. O Renato Enoch e a Isabela Moraes já foram outro processo. Eu queria muito o Enoch no álbum, mas não o via em nenhuma faixa, até que revi o repertório. Quando escutei ‘Abrir-Se’ pela primeira vez, pensei na participação”, diz. “Já ‘Pedaço’ usa a imagem do rio Capibaribe para falar de questões de gênero. Então, era muito importante para mim ter uma mulher pernambucana cantando. Conheci a Isabela de tanto lhe perturbar no Instagram, pelo meu encanto com as canções dela. Precisei de tempo para reunir coragem e convidá-la”, revela.

SEGUNDA CHANCE

Da primeira à décima canção, o álbum fala sobre o conflito entre o individual e o social, sobre a dificuldade de corresponder a tempos tão urgentes quando, individualmente, todos estão carentes. “É também uma metáfora para minha vinda à São Paulo. A ascensão e queda de quem se encanta com a cidade grande e, enfim, ressignifica isso tudo e encontra uma forma de habitar essas esquinas”, comenta. “’Eu Não Quis Dizer Isso’ é como um apelo, para que se escute uma segunda vez, para que questionem minhas escolhas de palavras, meu encadeamento de ideias. É, ainda, espelho do sentimento que todos temos com frequência de não sermos compreendidos, de querermos uma segunda chance”, finaliza.

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