É quase impossível falar de cultura pop, música, cinema ou grandes eventos sem esbarrar na Coca-Cola. O refrigerante nascido no século XIX como um suposto remédio virou muito mais que uma bebida: se transformou em um dos maiores símbolos publicitários do planeta, construiu pontes com artistas, embalou trilhas sonoras, patrocinou festivais e criou até seu próprio “Coke Studio” para celebrar talentos musicais. Não existe paralelo de uma marca que tenha mergulhado tão fundo no universo do entretenimento, dominando-o com tanta autoridade, carisma e longevidade.
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Tudo começou lá atrás, quando o farmacêutico John Pemberton chegou a Atlanta depois da Guerra Civil americana, tentando virar a página da vida e encontrar algum sucesso vendendo invenções farmacêuticas. A sorte de Pemberton só mudou ao conhecer o contador Frank Robinson, que virou sócio e estrategista do negócio. Foi Robinson quem batizou e desenhou o famoso logotipo cursivo que até hoje está nos rótulos. Mas a explosão da Coca-Cola mesmo só veio quando Asa Griggs Candler assumiu o comando e transformou o refrigerante em uma máquina de publicidade que atravessaria gerações.
Desde então, a Coca-Cola é mais que um refrigerante borbulhante, é um fenômeno de marketing que ajudou a exportar o estilo de vida norte-americano, a ponto de ser creditada como quem moldou o visual do Papai Noel com roupas vermelhas e brancas, mesmo que essa imagem já circulasse antes nos jornais. A Coca-Cola só reforçou, popularizou e transformou em ícone global.
Foi também um case monumental de negócios: a The Coca-Cola Company fabrica o concentrado do produto e entrega a engarrafadores licenciados mundo afora, que diluem, envasam e distribuem para supermercados, bares e máquinas automáticas. Esse modelo permitiu que hoje a marca esteja em mais de 200 países, com 1,8 bilhão de doses consumidas todos os dias, segundo dados recentes.
Mas o que faz da Coca-Cola uma gigante do entretenimento não é só sua onipresença nas prateleiras. É como ela entendeu que precisava falar diretamente ao coração do público, se conectando por meio da música, do cinema, da TV, dos esportes e de tudo que move paixões. Elvis Presley, por exemplo, foi garoto-propaganda da marca em sua última turnê em 1977. David Bowie, George Michael, Elton John, Whitney Houston… todos já estiveram em campanhas da Coca-Cola. Sem contar o lendário comercial japonês estrelado por Elvis ao som de “A Little Less Conversation”.
A relação é tão íntima que a Coca-Cola virou até verso de música. Está lá em “Come Together”, dos Beatles, em “All Summer Long”, dos Beach Boys, em “Desecration Smile”, do Red Hot Chili Peppers, em “The Static Age”, do Green Day e em dezenas de outras faixas. Julio Iglesias, Cyndi Lauper, U2, Nickelback, Bee Gees, Oasis, todos deixaram alguma referência ao refrigerante em suas letras. E o Brasil? Aqui também foi parar em canções que contam pedaços da nossa história musical, quase sempre de forma espontânea, tamanha a força da marca no imaginário coletivo.
No cinema, Coca-Cola é figurante e protagonista há décadas. Esteve em filmes como “One, Two, Three”, “The Coca-Cola Kid” e em “Os Deuses Devem Estar Loucos”, entre tantos outros. Muitas vezes, não precisa nem aparecer em destaque: basta um rótulo passando no canto da tela para todo mundo reconhecer.
No Brasil, a Coca-Cola fincou ainda mais fundo suas garras na cultura popular com campanhas que exploram o colecionismo. É só lembrar dos ioiôs dos anos 80, das minigarrafinhas das Copas do Mundo, da coleção com a Turma da Mônica nos anos 90 ou das latas temáticas de Natal, que viraram quase um ritual todo fim de ano. Sem falar das ações regionais como a primeira lata azul, lançada em 2007 para o Festival de Parintins, no Amazonas, um claro sinal de como a marca entende e respeita particularidades culturais.
Hoje, a Coca-Cola não se contenta em patrocinar. Ela cria experiências, como o Coke Studio, que abre palco para novos nomes e conecta o público a sons do mundo inteiro, reforçando o poder da música como linguagem universal. E isso faz parte de uma estratégia precisa: se manter jovem, atual e incrivelmente presente na vida de milhões de pessoas, de quem é fã de rock a quem vibra com o pagode.
A força da Coca-Cola no entretenimento é tão gigante que até mesmo países têm dificuldade para desbancá-la em popularidade. Na Escócia, o Irn Bru é o líder local. Na Argentina, a Pepsi toma a frente. Em regiões do Oriente Médio e em alguns estados da Índia, a marca enfrenta desafios que vão de questões geopolíticas a rivalidades culturais. Mas, de forma geral, segue imbatível como o refrigerante mais vendido do mundo e uma das marcas mais valiosas já criadas.
Falar da Coca-Cola é falar de show, de cinema, de trilha sonora, de álbum, de estádio lotado, de natal em família, de verão na praia e de tanta coisa que faz a vida ficar mais colorida. A marca entendeu cedo que precisava se confundir com o próprio entretenimento para permanecer viva no inconsciente coletivo. Deu certo. E continua dando.
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