Em 2026, o cinema voltou a provar que grandes revoluções culturais surgem quando imagem, música e narrativa caminham juntas. “Golden”, canção original de “Guerreiras do K-Pop”, deixou de ser um simples hit de trilha sonora para se tornar o epicentro da temporada de premiações, coroando uma animação que já havia ultrapassado os limites do streaming para se transformar em um fenômeno global.
A vitória no Globo de Ouro 2026 de Melhor Canção Original consolidou um movimento que vinha se desenhando desde o lançamento do filme. Diante de concorrentes como “Dream as One”, de “Avatar: Fogo e Cinzas”, “I Lied To You”, de “Pecadores”, “No Place Like Home” e “The Girl in the Bubble”, de “Wicked: Parte 2”, além de “Train Dreams”, de “Sonhos de Trem”, “Golden” saiu vencedora porque dialoga com algo maior do que o próprio cinema: a ideia de identidade, rejeição e conquista de espaço.
No discurso que rapidamente viralizou, Ejae, coautora e intérprete da música, transformou a premiação em um manifesto. Ao lembrar que tentou, sem sucesso, entrar para um grupo de k-pop antes de se firmar como compositora, ela deu voz a uma geração inteira que cresce ouvindo que portas estão fechadas. Quando ela afirma que “nunca é tarde para brilhar e ser quem você nasceu para ser”, “Golden” deixa de ser uma música e vira declaração de existência.
Esse impacto se amplifica porque a canção nasce dentro da narrativa de “Guerreiras do K-Pop”, um filme que constrói sua mitologia ao redor das HUNTR/X, um grupo feminino que equilibra palcos lotados e batalhas contra demônios. A trama, que coloca as heroínas frente a frente com os Saja Boys, um grupo rival criado pelas próprias forças do mal, usa a lógica do k-pop como metáfora de poder, influência e disputa de atenção em escala global.
Na versão em inglês, Ejae canta como Rumi, enquanto Audrey Nuna e Rei Ami completam o trio como Mira e Zoey. Arden Cho, May Hong e Joo Ji-young dão voz às personagens em cena, criando uma fusão rara entre performance musical e interpretação dramática. Sob a direção de Maggie Kang e Chris Appelhans, o filme constrói um universo que mistura folclore coreano, estética de videoclipes e a gramática visual que a Sony Pictures Animation vem refinando desde o “Aranhaverso”.
O resultado foi histórico. Em janeiro de 2026, “Guerreiras do K-Pop” se tornou o filme mais assistido da história da Netflix, superando a marca de 500 milhões de visualizações e dominando mercados como Brasil e Índia. Ao mesmo tempo, a trilha sonora atravessou a barreira da ficção, colocando o grupo HUNTR/X em posição real nas paradas. Quatro músicas simultâneas no Top 10 da Billboard Hot 100 e “Golden” liderando o ranking por semanas criaram um cenário que nem mesmo projetos de artistas consagrados vinham alcançando com tanta força.
Esse domínio se refletiu também fora das telas. A criação de um parque temático na Coreia do Sul, o lançamento de produtos oficiais como o light stick das HUNTR/X e parcerias com marcas globais como Hasbro e Mattel mostraram que “Guerreiras do K-Pop” virou uma franquia de cultura pop completa, onde cinema, música e consumo se retroalimentam.
Na temporada de prêmios, o filme repetiu o desempenho comercial. Venceu Melhor Filme de Animação no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards, enquanto “Golden” levou os dois troféus de Melhor Canção, algo que praticamente pavimentou o caminho para o Oscar 2026. Mesmo após anos em que o k-pop foi sistematicamente subestimado em premiações ocidentais, o favoritismo da música na shortlist da Academia indica uma mudança de paradigma.
Parte desse impacto vem da própria construção sonora de “Golden”. Escrita por EJAE ao lado de Mark Sonnenblick e produzida por Teddy Park, nome por trás de sucessos do Blackpink, a faixa equilibra emoção cinematográfica com a arquitetura pop do k-pop moderno. O refrão cresce como um hino de superação, enquanto a letra dialoga diretamente com a trajetória da personagem Rumi e com a própria história de sua intérprete.
O que torna esse momento ainda mais singular é que “Guerreiras do K-Pop” funciona como soft power cultural. Ao integrar figuras do folclore coreano, como os jeoseung saja, dentro de uma estética globalizada de estádios, fãs e idols, o filme apresenta a Coreia do Sul como potência criativa do século XXI, indo muito além da música ou do cinema.
Com a continuação já confirmada para 2029, a sensação é de que 2026 marca o nascimento de uma nova franquia multimídia, algo que Hollywood e o streaming tentam construir há anos, quase sempre sem sucesso. Aqui, o segredo foi simples e raro: uma boa história, uma música impossível de ignorar e um público que se reconheceu nesse discurso de resistência e brilho próprio.
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