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Crítica: “A Batalha de Natal” (Candy Cane Lane)

O cinema natalino vive de exageros, e “A Batalha de Natal” surge como mais um capítulo dessa tradição que mistura fantasia, caos doméstico e uma crença quase infantil no poder das luzes piscando na varanda. O filme coloca Chris Carver no centro de uma espiral que nasce de um gesto simples e vai crescendo até se tornar uma avalanche de magia fora de controle. A premissa é conhecida, mas a narrativa tenta soprar novidade a partir da figura dessa elfa inquieta chamada Pepper, criando um jogo entre ambição e consequência que dita o ritmo da história.

Crítica: “A Batalha de Natal” (Candy Cane Lane)

O que movimenta a trama é a forma como Chris lida com o próprio mundo desmoronando diante de si. Eddie Murphy interpreta o personagem com uma energia que abraça o espírito natalino sem abandonar a ironia que sempre marcou sua carreira. Existe um ponto interessante que atravessa o filme e funciona como espelho da nossa própria relação com as festas: o desejo de transformar expectativas em espetáculo e o peso emocional que acompanha esse movimento. A obsessão de Chris por vencer o concurso expõe uma necessidade de afirmação que vai muito além das luzes no telhado.

Tracee Ellis Ross equilibra a estrutura emocional da história com uma atuação que reforça a força da família como eixo da narrativa. Há uma química genuína entre os personagens, e esse vínculo sustenta a jornada quando o roteiro ameaça se perder em efeitos e subtramas que se acumulam em ritmo acelerado. A família Carver funciona como âncora, criando contraste entre o delírio mágico e a tentativa de manter algum senso de realidade entre criaturas falantes e decorações vivas.

Pepper se torna a faísca do caos, e Jillian Bell acerta o tom dessa figura quase folclórica que existe entre o feitiço e a travessura. Ela funciona como lembrete de que o Natal no cinema sempre incorpora o elemento imprevisível. A partir do encontro entre Chris e Pepper, a narrativa mergulha em um terreno de ritmo frenético, com perseguições, desafios e um desfile de personagens mágicos. Nesse ponto, o filme abraça a fantasia sem medo, mas perde parte da coesão emocional que construiu no início.

Reginald Hudlin tenta equilibrar humor físico, crítica leve ao consumismo e drama familiar. A direção aposta em visualidade intensa, e o terceiro ato se transforma em um espetáculo digital que transborda movimento e cor. A ambição técnica existe, embora seja evidente que nem todo o CGI sustenta o impacto emocional que a história busca atingir. O excesso visual cria uma camada de ruído que enfraquece a potência das relações que vinham sendo construídas.

O roteiro de Kelly Younger apresenta boas ideias, mas dispersa energia em temas que surgem e desaparecem sem aprofundamento suficiente. A questão do desemprego, por exemplo, aparece como motor inicial da história e depois se dissolve, como se fosse menor dentro da trama. Falta precisão no desenvolvimento de alguns arcos, e isso impede que o filme alcance uma conexão emocional mais profunda. O resultado é uma obra que tem alma, mas que muitas vezes se perde no caminho até encontrá-la.

Mesmo assim, existe charme na forma como a aventura se organiza em torno de uma missão coletiva. A busca pelos anéis dourados concentra o espírito clássico das histórias de Natal, onde família se torna força e limite, e onde o caos é apenas a última etapa antes da reconciliação. O filme funciona melhor quando abraça essa simplicidade e permite que Murphy conduza a narrativa com humor afiado e carisma natural.

“A Batalha de Natal” entrega uma experiência que equilibra fantasia exagerada, humor familiar e uma dose de sentimentalismo que não pesa. É um entretenimento acessível, que conversa com quem cresceu assistindo comédias natalinas e ainda busca aquele brilho específico que só dezembro consegue trazer. Não reinventa o gênero, mas oferece energia, leveza e um clima festivo suficiente para conquistar quem entra no jogo disposto a se divertir.

“A Batalha de Natal”
Direção: Reginald Hudlin
Elenco: Eddie Murphy, Tracee Ellis Ross, Jillian Bell
Disponível em: Amazon Prime Video

Avaliação: 3 de 5.

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