“A Casa do Engano” é um daqueles thrillers que tentam navegar entre o suspense psicológico e o drama íntimo, mas acabam deixando uma sensação agridoce: o filme acerta no clima, mas tropeça na execução. Dirigido por Jeff Celentano, o longa tem uma premissa intrigante, que combina tensão sobrenatural com elementos de gaslighting e paranoia doméstica, mas não consegue explorar todo o potencial dessas ideias. A produção é atmosférica, elegante em sua estética, mas carece de ousadia narrativa para marcar o espectador.
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A história acompanha Cass, interpretada por Minka Kelly, uma professora que testemunha um acidente na estrada em uma noite chuvosa. A partir desse momento, sua vida é invadida por telefonemas enigmáticos, visões perturbadoras e uma crescente sensação de que está perdendo o controle sobre a própria mente. É uma trama que flerta com clássicos do suspense psicológico, evocando ecos de “Atração Fatal” e “Revelação”, mas sem o mesmo rigor narrativo. O resultado é um filme que prefere brincar com truques de roteiro conhecidos em vez de construir algo novo.
Ainda assim, a atmosfera é um dos pontos altos da produção. A mansão antiga onde boa parte da história se passa é um espetáculo por si só, funcionando quase como um personagem. O design de produção aproveita ao máximo a arquitetura e os espaços amplos, criando um ambiente sombrio que reforça a ideia de isolamento e vulnerabilidade da protagonista. A fotografia aposta em tons frios, sugerindo constantemente perigo e desconforto, um acerto visual que compensa algumas limitações do roteiro.
As atuações também contribuem para manter o interesse do público. Maggie Grace se destaca em um papel secundário, entregando uma performance carismática que rouba várias cenas. Dermot Mulroney, experiente em papéis complexos, oferece solidez, ainda que seu personagem não tenha tanto desenvolvimento. Minka Kelly carrega a história com uma presença firme, equilibrando fragilidade emocional com determinação, mesmo em um roteiro que muitas vezes não lhe dá espaço para explorar toda a complexidade de Cass.
No entanto, é impossível ignorar os clichês que pesam sobre o filme. As cenas de alucinações e aparições sobrenaturais, que deveriam provocar tensão genuína, acabam previsíveis e pouco inspiradas, com recursos como reflexos súbitos em espelhos e cortes rápidos para objetos sangrentos que somem segundos depois. São escolhas que soam preguiçosas e enfraquecem o impacto da narrativa, que poderia ter investido mais no aspecto psicológico e menos em truques fáceis. Além disso, o grande plot twist, revelado de forma apressada nos minutos finais, perde a força justamente porque não há uma construção adequada ao longo do filme para sustentá-lo.
“A Casa do Engano” tem méritos: é um suspense sem apelos gráficos exagerados, com uma ambientação visualmente rica e uma boa dose de tensão leve, ideal para quem não aprecia o terror mais pesado, mas ainda quer um pouco de mistério. Porém, o longa desperdiça uma chance de aprofundar temas como gaslighting, memória, trauma e manipulação emocional, limitando-se a um thriller funcional, mas esquecível. A beleza do cenário e o charme do elenco não são suficientes para torná-lo memorável, embora ofereçam o tipo de entretenimento ideal para uma noite chuvosa, sem grandes expectativas.
“A Casa do Engano” (Blackwater Lane)
Direção: Jeff Celentano
Elenco: Minka Kelly, Dermot Mulroney, Maggie Grace, Natalie Simpson
Disponível em: Prime Video
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