Alguns remakes carregam consigo a missão ingrata de revisitar obras já consagradas. “A Criada Proibida”, versão filipina de “The Housemaid”, tenta assumir esse desafio, mas se perde em sua própria ambição. O filme se preocupa mais em parecer sofisticado do que em construir uma narrativa envolvente. O resultado é um espetáculo visual grandioso, mas esvaziado de substância, onde personagens funcionam como peças decorativas em um cenário imponente, mas pouco expressivo.
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A trama acompanha Daisy, nova empregada em uma mansão de família rica, que logo se vê observada pelo patriarca da casa. A tensão erótica que deveria guiar a narrativa nunca encontra solidez. O que poderia ser um estudo sobre desejo, poder e vulnerabilidade acaba se transformando em um desfile de imagens bonitas, sem profundidade emocional. As ações surgem de maneira abrupta, sem desenvolvimento, como se o roteiro estivesse mais interessado em chocar do que em explicar.
É impossível ignorar o peso das comparações. O clássico coreano de 2010 explorava com maestria as nuances psicológicas de seus personagens, mergulhando em diálogos realistas e em um silêncio carregado de tensão. Já a adaptação filipina opta por diálogos artificiais e pela constante presença de música melodramática, que em vez de intensificar o suspense, quebra qualquer possibilidade de atmosfera. Em muitos momentos, a trilha sonora se torna quase uma caricatura, sabotando as próprias cenas que deveria fortalecer.
O elenco tenta se destacar em meio ao roteiro irregular. Kylie Verzosa, no papel principal, não encontra a mesma força dramática de Jeon Do-yeon na versão coreana, entregando uma personagem que parece mais um esboço do que uma figura complexa. Jaclyn Jose, por outro lado, mantém sua habitual firmeza e consegue injetar credibilidade mesmo em momentos frágeis da narrativa. Ainda assim, é pouco para salvar o conjunto.
Visualmente, o filme impressiona. Os enquadramentos, a fotografia e a direção de arte constroem uma atmosfera elegante, com locações grandiosas que reforçam o contraste entre opulência e servidão. Mas esse brilho é superficial. A estética funciona como máscara para uma história que não sustenta suas próprias escolhas. O espectador é levado a acreditar que há algo mais por trás da beleza plástica, mas o vazio se revela cedo demais.
O clímax, que poderia ter dado fôlego à produção, perde impacto por causa de soluções apressadas e até mesmo de efeitos visuais questionáveis. A promessa de uma grande reviravolta se desfaz em um desfecho previsível e mal executado. No fim, “A Criada Proibida” deixa a sensação de ser uma oportunidade desperdiçada: tinha potencial para reinventar um enredo clássico, mas preferiu seguir pelo caminho fácil da cópia despersonalizada.
É um remake que brilha na forma, mas falha no conteúdo. Mais um exemplo de como uma boa fotografia jamais consegue compensar a ausência de uma narrativa sólida.
“A Criada Proibida”
Direção: Roman Perez Jr.
Elenco: Albert Martinez, Jaclyn Jose, Kylie Verzosa, Louise de los Reyes
Disponível em: Prime Video
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