Existe um tipo específico de cinema de ação que sobrevive pelo carisma de seus excessos. “A Duquesa Vingadora” quer ser exatamente isso: um filme que entrega tiros, vingança e personagens que falam como se estivessem todos em uma audição para um derivado de “Snatch: Porcos e Diamantes”. Só que querer é uma coisa, sustentar é outra.
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A comparação com Guy Ritchie é inevitável, mas também injusta. Aqui falta o charme, falta a malícia e, principalmente, falta o timing. A trama até começa com alguma disposição: uma criminosa de segunda linha se mete no jogo pesado do tráfico de diamantes, é dada como morta e reaparece para cobrar a fatura. Só que o roteiro estica esse arco com um romance que não emociona, diálogos forçados e uma estética que tenta parecer cool mas entrega pouco além da pose.
Charlotte Kirk segura o protagonismo com a energia de quem já nasceu em um filme B, o que não é exatamente uma crítica. Ela tem presença e entende o que está fazendo ali, mesmo que o texto nem sempre colabore. O parceiro dela, vivido por Philip Winchester, entrega um marine genérico que serve de alicerce para um roteiro que só começa a girar de verdade depois de uma hora de projeção. Isso mesmo: a vingança, ponto central do filme, só começa quando metade da história já passou.
É nesse segundo tempo que o longa tenta correr atrás do atraso. As mortes se acumulam, a violência se intensifica e tudo ganha uma camada de absurdo que faz bem à narrativa. É aí que o filme começa a entreter de fato, mesmo que tarde. Até lá, o público já teve que suportar introduções de personagens via letreiros excessivos, diálogos que beiram a paródia e um elenco inchado que mal tem o que dizer. Colm Meaney e Sean Pertwee até emprestam certa dignidade à coisa toda, mas não há muito o que salvar quando o próprio filme parece dividido entre ser série B com orgulho e aspirar a algo maior.
“A Duquesa Vingadora” é o tipo de produção que vive de momentos isolados e de uma confiança que o roteiro não consegue justificar. É barulhento, bagunçado, quase sempre previsível, mas tem algumas cenas bizarras que fazem valer a sessão como um homem sendo devorado por um tigre. Sim, isso acontece. E sim, parece saído direto de um episódio de “Archer”. A referência é inevitável e só serve para lembrar como falta ousadia de verdade neste filme que quer tanto parecer perigoso, mas vive à sombra de obras melhores.
No fim das contas, é entretenimento descartável. Funciona se você quiser algo para assistir sem pensar muito, mas não espere uma nova clássica anti-heroína surgindo no submundo do crime. A duquesa até volta dos mortos, mas não consegue reinar.
“A Duquesa Vingadora“
Direção: Neil Marshall
Elenco: Charlotte Kirk, Philip Winchester, Colm Meaney, Stephanie Beacham, Sean Pertwee
Disponível em: Adrenalina Pura
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