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Crítica: “A Hora dos Valentes” (La Hora de los Valientes)

Uma condenação judicial costuma carregar peso, mas também pode abrir caminhos inesperados. Quando a punição deixa de ser castigo e passa a funcionar como encontro forçado entre fragilidades, o cinema encontra um terreno fértil para falar de afeto, culpa e redenção. É nesse espaço instável, entre a comédia e o drama, que a narrativa decide apostar, confiando mais na relação entre seus protagonistas do que em grandes reviravoltas.

Crítica: “A Hora dos Valentes” (La hora de los valientes)

“A Hora dos Valentes” acompanha um psicanalista empurrado para fora de sua zona de conforto ao precisar prestar serviços comunitários. A tarefa que recebe escapa completamente do óbvio, oferecer apoio emocional a um policial emocionalmente devastado após uma traição conjugal. A partir desse ponto, o filme constrói uma dupla improvável que funciona como motor dramático e cômico da história. O encontro entre razão clínica e impulsividade armada cria situações de choque, desconforto e, aos poucos, cumplicidade.

É impossível ignorar que o longa assume sem pudor sua condição de refilmagem. A estrutura narrativa segue um caminho já conhecido, com cenas e soluções que soam familiares para quem conhece o material de origem. Ainda assim, o filme se sustenta por méritos próprios quando decide investir menos na surpresa e mais no carisma. O roteiro tropeça no início, com piadas que não encontram o tempo certo e personagens que demoram a ganhar consistência, mas essa instabilidade não dura para sempre.

A entrada de Luis Gerardo Méndez em cena altera o ritmo da experiência. Seu desempenho injeta energia, humor e humanidade em uma história que ameaçava permanecer mecânica. A química construída com Memo Villegas cresce gradualmente, transformando desconfiança inicial em empatia genuína. Quando os dois estão juntos, o filme encontra seu melhor equilíbrio, apostando no diálogo, no contraste de personalidades e em pequenas situações que dizem mais do que grandes discursos.

Visualmente, a produção mantém um padrão sólido e funcional. A direção de Ariel Winograd prefere não arriscar demais, optando por uma condução clara e acessível. O ritmo sofre quedas pontuais, especialmente quando a narrativa insiste em separar a dupla por tempo excessivo. A força do filme reside justamente na interação entre esses dois homens quebrados, e afastá-los enfraquece momentaneamente o envolvimento do público.

“A Hora dos Valentes” talvez jamais alcance o status de grande comédia, mas entrega algo igualmente valioso, personalidade e afeto. Há falhas evidentes, escolhas seguras demais e uma dependência clara de um conceito já testado. Ainda assim, o filme encontra espaço para emocionar e divertir, principalmente quando entende que segundas chances raramente surgem de situações confortáveis. No fim, trata-se de uma história que aposta no vínculo humano como resposta ao caos, e isso basta para torná-la digna de atenção.

“A Hora dos Valentes”
Direção:
Ariel Winograd
Elenco: Luis Gerardo Méndez, Memo Villegas, Christian Tappán
Disponível em: Netflix

Avaliação: 3 de 5.

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