Se existe algo que Hollywood nunca cansa de revisitar é a ideia da conspiração militar. Desde os anos 70, com clássicos como “Três Dias do Condor” e “Operação França“, esse imaginário de forças obscuras dentro do próprio governo vem alimentando tramas que misturam ação, suspense e paranoia. “A Lista Terminal“, primeira temporada da série baseada no livro de Jack Carr, entra nessa tradição, mas carrega um peso que muitas vezes joga contra a própria narrativa.
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A história acompanha James Reece, vivido por Chris Pratt, um oficial da Marinha que vê seu pelotão ser emboscado em missão e volta para casa sem conseguir lidar com a memória do ocorrido. A princípio, parece mais um drama sobre culpa, trauma e o peso da guerra na mente de quem sobreviveu. Mas logo a série escorrega para o terreno das conspirações de gabinete, dos inimigos invisíveis, dos relatórios falsificados e das ordens que vêm de cima para calar quem ousa questionar.
Essa transição poderia funcionar se “A Lista Terminal” encontrasse equilíbrio entre introspecção e espetáculo. Só que Antoine Fuqua, responsável pela direção do episódio piloto, prefere mergulhar o espectador em uma escuridão constante, sem dar espaço para respiro. O resultado é uma temporada que soa grandiosa em ambição, mas pesada no ritmo. Lembra aqueles thrillers de guerra do início dos anos 2000 que tentavam ser “adultos” demais e acabavam mais sisudos do que realmente profundos.
Chris Pratt, que se consagrou no humor de “Parks and Recreation” e ganhou status de astro de ação em “Guardiões da Galáxia” e “Jurassic World”, tenta aqui mostrar uma face mais dramática. Há momentos em que funciona, principalmente quando a série aposta em seu silêncio e nos olhares perdidos de quem carrega memórias fragmentadas. Mas em outros, ele parece deslocado, como se ainda não tivesse encontrado o tom certo para um personagem atormentado que exige nuances além da fúria. Pratt segura o papel, mas nunca o transcende.
Comparações são inevitáveis. “A Lista Terminal” lembra “Homeland” na tentativa de unir drama pessoal e conspiração política, mas sem a mesma intensidade emocional. Também ecoa “Jack Ryan”, só que sem o charme aventureiro ou a cadência narrativa que tornam aquela série mais digerível. O que sobra é uma espécie de híbrido sombrio, que insiste em sua gravidade mesmo quando tudo pede por doses de leveza ou ironia.
Ainda assim, há algo de fascinante em observar como a série constrói sua paranoia. Os lapsos de memória de Reece, a dúvida sobre o que realmente aconteceu com seu pelotão e o medo constante de traição ressoam com aquela sensação de desconfiança típica do nosso tempo. O problema é que essa força dramática se dilui em episódios longos demais, diálogos recheados de jargão militar e cenas de ação que às vezes parecem mais barulho do que impacto.
No fim das contas, “A Lista Terminal” é uma série que se leva muito a sério. Ela tenta ser uma reflexão sobre guerra, lealdade e manipulação, mas acaba soando como mais uma história de vingança revestida de conspiração. Não é que seja ruim (há momentos de tensão genuína e algumas escolhas visuais interessantes), mas a impressão é que falta identidade própria. Em um cenário televisivo tão lotado de thrillers militares, a série acaba ficando no meio do caminho: sombria demais para ser puro entretenimento, mas rasa demais para ser de fato perturbadora.
“A Lista Terminal”
Criado por David DiGilio
Elenco: Chris Pratt, Constance Wu, Taylor Kitsch
Disponível em: Prime Video
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