“A Mãe e a Maldição” tenta ser uma adição impactante ao cinema de terror indiano, mas acaba evidenciando as dificuldades do gênero em encontrar equilíbrio entre emoção, tensão e espetáculo visual. Dirigido por Vishal Furia, o filme se apresenta como uma história sobre maternidade, tradição e espiritualidade, mas tropeça em escolhas narrativas e técnicas que comprometem seu impacto. A produção tenta mesclar drama familiar com horror sobrenatural, porém o resultado é um longa que raramente assusta e luta para construir uma atmosfera convincente.
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A história acompanha Ambika, interpretada por Kajol, que se vê obrigada a enfrentar forças demoníacas em uma vila marcada por uma maldição ancestral. A premissa tem força: uma mãe que desafia o sobrenatural para proteger a filha carrega um apelo emocional poderoso, algo que poderia sustentar um filme repleto de tensão psicológica e camadas dramáticas. Entretanto, a execução não acompanha essa ambição. O roteiro carece de profundidade, com personagens que pouco se desenvolvem e arcos dramáticos que não ganham o peso necessário para que o público se conecte com suas dores ou seus medos.
A direção de Vishal Furia, conhecido por trabalhos como “Chhorii”, mantém um padrão visual já característico do cineasta, com ambientações escuras e uma estética que busca reforçar a sensação de isolamento e ameaça. Porém, a aposta em efeitos visuais artificiais enfraquece o terror. Os momentos de possessão e confrontos com o sobrenatural perdem credibilidade diante de um CGI inconsistente, tornando difícil para o espectador suspender a descrença. A atmosfera que deveria ser claustrofóbica acaba soando artificial, prejudicando a imersão que um bom filme de horror exige.
Mesmo a força do elenco não consegue compensar essas falhas. Kajol, apesar de entregar momentos de emoção genuína, não encontra espaço para explorar todas as nuances de uma mãe que enfrenta o impossível. Ronit Roy e Indraneil Sengupta também são subaproveitados, com personagens que parecem funcionar mais como instrumentos da trama do que como figuras complexas dentro do universo narrativo.
O que torna “A Mãe e a Maldição” frustrante é justamente o potencial não explorado. A proposta de abordar uma narrativa de terror enraizada em tradições culturais, rituais e espiritualidade indiana tem força para criar algo único. O filme até acerta ao construir uma mitologia própria e ao usar a relação mãe e filha como fio condutor, mas tudo isso fica diluído por um roteiro apressado, sem desenvolvimento psicológico dos personagens, e uma estética que aposta em sustos fáceis em vez de tensão genuína. Ao invés de explorar o horror como uma metáfora para traumas familiares ou conflitos sociais, a produção se limita a reproduzir convenções do gênero sem ousadia.
O resultado é uma obra que não se destaca nem como terror sobrenatural nem como drama, deixando a sensação de que faltou um olhar mais cuidadoso para o ritmo, os efeitos visuais e a construção da tensão. “A Mãe e a Maldição” não é irrelevante, pois ainda reflete a tentativa do cinema indiano de competir com produções globais no gênero, mas deixa claro que o terror exige mais do que uma boa ideia: é preciso precisão na narrativa, consistência estética e coragem criativa para realmente impactar.
“A Mãe e a Maldição”
Direção: Vishal Furia
Elenco: Kajol, Ronit Roy, Indraneil Sengupta, Dibyendu Bhattacharya, Gopal Singh
Disponível em: Netflix
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