O cinema tem dessas: pega um conceito que poderia render ouro e entrega um filme que parece ter sido montado com recortes de comédia romântica vendida em bancas de aeroporto. “A Paris Errada” brinca com a premissa de uma jovem sonhadora que acaba caindo num reality show em lugar errado, mas o que poderia ser um comentário divertido sobre a indústria do entretenimento acaba se perdendo em uma fórmula gasta. O filme vive de uma piada só e espreme essa ideia até não sobrar nada além de clichê.
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Miranda Cosgrove tenta dar frescor à protagonista, e até consegue arrancar momentos carismáticos, mas é como plantar flores em solo seco. O roteiro engessa qualquer possibilidade de evolução e transforma as relações em caricaturas. Pierson Fodé, com seu caubói moldado no estereótipo, é a tradução do atalho narrativo: em vez de construir uma história de descoberta, a trama prefere o atalho da atração física como resposta para todos os conflitos. É o tipo de filme que reafirma que, para Hollywood, basta um abdômen definido para enterrar sonhos de uma vida inteira.
Tecnicamente, “A Paris Errada” é irregular. A fotografia oscila entre cenas quase amadoras e enquadramentos que soam mais acidentais que planejados. A montagem corta diálogos de forma abrupta e dá a sensação de que alguém perdeu a paciência na sala de edição. Em meio a isso, há lampejos que lembram o potencial desperdiçado, como a revelação da Paris errada, que poderia sustentar um filme inteiro se houvesse coragem de rir do próprio absurdo.
O resultado final é um híbrido indeciso. Não se assume como sátira, tampouco se sustenta como romance. Fica em um meio-termo desconfortável, que diverte em alguns momentos pela bizarrice involuntária, mas nunca atinge o impacto que poderia ter se tivesse abraçado a própria paródia. “A Paris Errada” se vende como escapismo romântico, mas entrega um compilado de fórmulas recicladas que deixam a sensação de déjà vu.
No fim, é aquele tipo de filme que provoca uma pergunta sincera: será que nos divertimos pelo charme involuntário ou apenas porque já estamos acostumados a esperar pouco de certas comédias românticas de catálogo? Talvez um pouco dos dois.
“A Paris Errada”
Direção: Janeen Damian
Elenco: Miranda Cosgrove, Pierson Fodé, Frances Fisher
Disponível na Netflix
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