Conspirações internacionais, agentes que carregam mais segredos do que respostas e um passado que insiste em voltar à superfície. A promessa de tensão política e espionagem sofisticada cria uma expectativa imediata, daquelas que evocam narrativas densas e cheias de reviravoltas. Mas nem toda operação segue como planejado.

Em “Agente Zeta”, o ponto de partida é instigante. O assassinato coordenado de ex-agentes espanhóis espalhados pelo mundo abre caminho para uma investigação que conecta Europa e América Latina, com ecos de operações encobertas e decisões questionáveis. A trama sugere um jogo estratégico complexo, onde cada movimento poderia alterar o equilíbrio entre verdade e manipulação.
O protagonista vivido por Mario Casas assume o papel de um agente de elite convocado para resolver o que restou de uma missão mal explicada. A construção, porém, não acompanha a ambição do roteiro. Falta densidade emocional e presença dramática, o que enfraquece o impacto de decisões que deveriam carregar peso. A sensação é de um personagem que transita pela história sem deixar marcas profundas.
Do outro lado, Mariela Garriga surge como contraponto direto, trazendo uma energia mais firme e até mais interessante em determinados momentos. Já Luis Zahera aparece com lampejos pontuais de intensidade, mas sem espaço suficiente para desenvolver algo memorável. O elenco até apresenta potencial, mas o material não sustenta esse conjunto.
A direção de Dani de la Torre aposta em uma estética bem trabalhada. Visualmente, o filme encontra seus melhores momentos. A fotografia e a composição de cenas entregam um padrão técnico sólido, criando uma atmosfera que conversa com o gênero de espionagem. O problema está no ritmo. A narrativa se perde em explicações extensas e diálogos que tentam construir complexidade, mas acabam diluindo a tensão.
A ação, que deveria ser o motor da experiência, aparece de forma tímida. Existe uma expectativa constante de que o filme engrene, mas esse momento raramente chega, o que gera uma sensação de frustração ao longo da exibição. Quando as sequências mais intensas finalmente surgem, elas são eficientes, porém insuficientes para sustentar o todo.
O roteiro assinado por Oriol Paulo e Jordi Vallejo aposta em reviravoltas que se mostram previsíveis. A tentativa de surpreender acaba comprometida por escolhas óbvias, diminuindo o impacto do desfecho e reforçando a ideia de uma oportunidade desperdiçada.
“Agente Zeta” tinha elementos para se destacar dentro do gênero, mas opta por caminhos seguros e pouco inspirados. O resultado é uma experiência visualmente competente, porém narrativamente irregular, que passa sem causar grande impacto.
“Agente Zeta”
Direção: Dani de la Torre
Roteiro: Oriol Paulo, Jordi Vallejo
Elenco: Mario Casas, Mariela Garriga, Luis Zahera
Disponível em: Amazon Prime Video
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