Tem dias em que a gente só quer uma comédia romântica leve, que abrace sem exigir demais. E existem histórias que começam prometendo justamente isso, mas acabam deixando uma sensação agridoce no caminho. “Ah, a Amizade…” surge com essa proposta de conforto fácil, porém se perde quando parecia pronta para ir além.
A premissa é simples e sedutora. Thando coleciona decepções amorosas e já não confia tanto assim no próprio valor. Tudo muda quando seu melhor amigo volta de viagem trazendo uma noiva a tiracolo. O que poderia ser apenas mais um clichê do gênero vira um campo minado emocional. O ciúme aqui não é apenas um sentimento passageiro, é o gatilho que expõe inseguranças antigas e feridas mal cicatrizadas.
O começo engana bem. A narrativa sugere que vamos acompanhar uma jornada de amadurecimento. Há pistas de que Thando finalmente vai se enxergar como protagonista da própria vida, não como coadjuvante afetiva de um homem indeciso. O roteiro dá sinais claros de que estamos diante de uma história sobre autoestima, limites e escolhas conscientes. E é justamente aí que nasce a frustração.
Quando o casal secundário começa a parecer mais interessante do que o principal, algo se desloca. A noiva de Charles, que poderia ser apenas um obstáculo narrativo, acaba sendo a personagem que mais evolui. Ela enfrenta suas próprias questões, encara conflitos e demonstra alguma complexidade. Thando, que deveria ocupar esse espaço de transformação, oscila, recua e, no fim, aceita menos do que parecia merecer.
Não se trata de exigir uma revolução dentro da comédia romântica. O gênero vive de reencontros, mal-entendidos e finais felizes previsíveis. A questão é outra. O filme promete crescimento e entrega acomodação. E isso pesa.
Há uma sensação de que estamos assistindo a uma história que flerta com a modernidade, mas escolhe o caminho mais seguro quando chega a hora de concluir. A ideia de que o amor supera tudo continua ali, intacta, quase como um mantra. Funciona? Funciona. Mas cansa. Principalmente quando a personagem feminina ensaia um discurso de independência e, na prática, abre mão dele sem grande conflito interno.
Isso não significa que “Ah, a Amizade…” seja um desastre. Pelo contrário. É um filme simpático, com ritmo ágil e situações que arrancam sorrisos sinceros. É aquele tipo de produção que você assiste sem esforço, mas também sem sair transformado. E talvez essa seja a grande questão. Quanto mais o público amadurece, mais espera que os personagens amadureçam junto.
“Ah, a Amizade…”
Direção: Johnny Barbuzano
Elenco: Katlego Lebogang, Siya Sepotokele, Fikile Mthwalo
Disponível em: Netflix
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