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Crítica: “Alguém Especial Como Você” (Aap Jaisa Koi)

“Alguém Especial Como Você” é o tipo de filme que tenta ser delicado, maduro e questionador, mas se perde em suas próprias armadilhas antes mesmo de se firmar como algo memorável. A trama tinha tudo para entregar uma história charmosa e necessária sobre o amor na meia-idade, mas se perde num roteiro afoito que parece mais preocupado em marcar todos os debates sociais do momento do que em construir um romance realmente sólido.

Crítica: “Alguém Especial Como Você” (Aap Jaisa Koi)

Logo de início, o longa acerta ao colocar no centro dois personagens que fogem do padrão: Shrirenu, um professor de sânscrito de meia-idade, ainda virgem, inseguro, educado para ser o típico homem que acredita ter o poder de “permitir” ou não a liberdade da mulher ao seu lado. Do outro lado está Madhu, professora de francês, independente, que vive conforme as próprias regras e não deve satisfações a ninguém. O encontro dos dois é fofo, genuinamente simpático. Há química, há doçura e até um certo frescor na forma como o filme aborda o desabrochar desse afeto entre pessoas que já carregam um peso emocional considerável.

O problema é que esse mesmo frescor se esvai rápido. O roteiro se torna preguiçoso, parece ter pressa de levantar bandeiras e esquece de dar profundidade real aos conflitos. O gatilho que leva Shrirenu a questionar o relacionamento com Madhu surge de forma quase infantil: um aplicativo de sexo que, em teoria, deveria escancarar a insegurança dele e a liberdade dela, mas que acaba sendo tratado com tanta superficialidade que perde o impacto. O filme tenta costurar um discurso sobre masculinidade frágil, patriarcado e autonomia feminina, mas faz isso de maneira tão direta, quase didática, que se esquece do cinema, da sutileza, do espaço para o público sentir.

Mesmo assim, existem lampejos que tocam. Quando Shrirenu fala sobre como é bom ter alguém especial, há sinceridade, quase um convite para o espectador lembrar do valor das conexões reais. Madhavan carrega essas cenas nas costas, equilibrando bem o desconforto e a ternura do seu personagem. Fatima Sana Shaikh também brilha, mas o texto não lhe dá o tanto de nuances que poderia. O visual dela lembra Rani de “Rocky Aur Rani Ki Prem Kahani”, o que não surpreende, já que o dedo da Dharma Productions está em ambos. Pena que no terceiro ato, a química construída se dissolve em diálogos mal amarrados e num desfecho que soa apressado, como se o filme tivesse decidido acabar antes de dizer tudo o que precisava.

A trilha sonora de Rohit Kohli e Justin Prabhakaran tenta ajudar, oscila entre acertar o tom doce e cair no óbvio, mas ainda cumpre bem a função de colorir emocionalmente algumas cenas. No saldo final, “Alguém Especial Como Você” é um filme com intenções importantes, que fala sobre a coragem de amar depois dos quarenta, sobre desconstruir velhos hábitos e abrir espaço para quem se é de verdade, mas que tropeça demais na execução para deixar uma marca duradoura. Vale por alguns momentos sinceros e pelo simples prazer de ver dois adultos se apaixonando, mesmo que o longa pareça meio perdido sobre como contar essa história.

“Alguém Especial Como Você”, direção de Vivek Soni, com Madhavan, Fatima Sana Shaikh e Namit Das. Disponível na Netflix.

Avaliação: 2 de 5.

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