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Crítica: “Alma em Chamas” (Soul on Fire)

Entre os destaques do catalogo do Prime Video “Alma em Chamas” se apoia em uma daquelas histórias reais que parecem desafiar qualquer lógica racional. Um corpo devastado, um prognóstico quase inexistente e, ainda assim, a recusa em encerrar a própria narrativa ali. O filme dirigido por Sean McNamara escolhe um caminho direto, apostando na força do testemunho humano como motor dramático e colocando a sobrevivência como um gesto diário de resistência.

Crítica: “Alma em Chamas” (Soul on Fire)

A trajetória de John O’Leary, aqui vivida por Joel Courtney, se constrói a partir do limite absoluto. O incêndio que marca sua infância não funciona como espetáculo visual, mas como ponto de ruptura definitivo. A dor não é usada como choque, e sim como fundação emocional, algo que molda caráter, olhar e postura diante da vida. O filme entende que sobreviver é apenas o primeiro passo. Aprender a existir depois da tragédia exige outro tipo de coragem.

A fé surge como elemento estruturante, mas nunca isolado. Ela caminha ao lado da família, do cuidado coletivo e de figuras simbólicas que ampliam o horizonte do protagonista. Entre elas, a presença de uma lenda do beisebol se transforma em farol afetivo. William H. Macy interpreta esse elo com delicadeza e humanidade, evitando qualquer tom heroico artificial. O mentor aqui não ensina com discursos, mas com presença, com constância e com a simplicidade de quem entende o impacto que palavras podem ter em momentos decisivos.

O esporte, nesse contexto, funciona como linguagem universal. Mais do que partidas ou vitórias, o beisebol aparece como pertencimento, como ritual coletivo capaz de devolver sentido a quem teve tudo interrompido cedo demais. A reconstrução física de John acontece em paralelo à reconstrução emocional, ambas sustentadas por pequenos gestos, encontros inesperados e símbolos que atravessam gerações.

“Alma em Chamas” jamais tenta reinventar o cinema inspiracional. Sua força está na honestidade. O filme aceita sua vocação para emocionar e não disfarça isso. Ainda assim, evita excessos melodramáticos ao apostar em um tom respeitoso, quase contemplativo. A narrativa entende que inspiração não nasce do milagre, mas da persistência cotidiana, daquela escolha silenciosa de seguir em frente mesmo quando tudo aponta para o contrário.

O cuidado com os ambientes e cenários reforça essa sensação de verdade. Locações reais ajudam a ancorar o filme em uma memória coletiva, transformando a cidade em personagem viva da história. Essa decisão amplia o impacto emocional e aproxima o espectador de uma experiência que ultrapassa a tela.

No fim, “Alma em Chamas” fala sobre legado. Sobre como uma vida marcada pela tragédia pode, ainda assim, iluminar outras. É um filme que acredita no poder da presença humana, no valor das conexões e na ideia de que viver, por si só, já é um ato extraordinário.

“Alma em Chamas”
Direção
: Sean McNamara
Elenco: Joel Courtney, William H. Macy, John Corbett, DeVon Franklin
Disponível em: Prime Video, aluguel e compra

Avaliação: 3.5 de 5.

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