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Crítica: “Amor até o Fim” (1ª temporada)

Existe algo de particularmente desarmante em obras que tratam da finitude com leveza. “Amor até o Fim” caminha exatamente nesse fio delicado, confrontando temas pesados com uma construção narrativa que prefere o afeto à melancolia, o caos à previsibilidade. À primeira vista, tudo ali soa como um exercício de fórmulas dramáticas: um diagnóstico trágico, uma gravidez inesperada, um reencontro carregado de nostalgia. Mas basta um pouco mais de tempo na companhia de seus personagens para perceber que a série não está interessada em empilhar desgraças, e sim em tensionar a vida onde ela pulsa com mais intensidade: na urgência de amar.

Crítica: “Amor até o Fim” (1ª temporada)

Em sua essência, “Amor até o Fim” não quer ser uma história sobre a morte, mas sobre os movimentos que fazemos diante dela. E não há resposta simples. O amor aqui não é redentor, nem romântico em excesso, tampouco previsível. É falho, inacabado, impaciente, imaturo. Mas é também insistente, como a própria série. Quando tudo parece pronto para desandar, ela encontra uma forma sutil de recomeçar, de construir vínculos a partir da bagunça emocional dos seus protagonistas.

A força da série não está em seus plot twists nem nas cenas dramáticas mais esperadas. Está no modo como observa seus personagens sendo engolidos pelas próprias escolhas e ainda assim encontrando brechas para o afeto. Marta e Raúl não são arquétipos. São pessoas atravessadas por medos contemporâneos: o medo do compromisso, o medo da solidão, o medo de não ter tempo. E é nesse ponto que a narrativa alcança algo raro: um romantismo que não idealiza o outro, mas que aposta no encontro possível, mesmo que tardio, mesmo que imperfeito.

“Amor até o Fim” não tenta ser moderna a qualquer custo, mas entende bem a sensibilidade de seu tempo. Sua estética é limpa, íntima, quase sempre emoldurada por espaços pequenos e olhares longos. Os silêncios dizem tanto quanto os diálogos. É uma série que sabe a hora de rir e a hora de parar. Que entende que nem todo caos precisa ser resolvido alguns precisam apenas ser vividos.

A direção evita o melodrama explícito, apostando num ritmo orgânico que pode até parecer morno no início, mas que aos poucos revela uma precisão emocional admirável. Quando tudo funciona, há um sentimento de familiaridade reconfortante. Quando falha, a série ainda acerta por não disfarçar essas rachaduras. É justamente nelas que a humanidade dos personagens escapa.

“Amor até o Fim” é sobre o que sobra quando todas as certezas desmoronam. E o que sobra, invariavelmente, é o desejo de não passar por tudo isso sozinho.

“Amor até o Fim”
Direção: Dani de la Orden
Elenco: Joan Amargós, Verónica Echegui, Cristian Valencia
Disponível em: Apple TV+

Avaliação: 3.5 de 5.

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