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Crítica: “And Just Like That…” (1ª temporada)

Texto: Ygor Monroe
9 de julho de 2025
em HBO Max, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Há algo fascinante e incômodo ao revisitar o universo de “Sex and the City” mais de duas décadas depois. “And Just Like That…” tenta equilibrar nostalgia e reinvenção ao trazer de volta Carrie, Miranda e Charlotte, agora às voltas com dilemas de meia-idade em uma Nova York que mudou e que exige delas transformações que talvez nem sempre sejam tão naturais.

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Crítica: "And Just Like That…" (1ª temporada)
Crítica: “And Just Like That…” (1ª temporada)

Baseada no livro “Sex and the City”, de Candace Bushnell, a série revive o trio icônico vivido por Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon e Kristin Davis, mas faz isso com uma urgência de se provar moderna que beira o constrangimento. O vazio deixado por Samantha é sentido logo de cara, o que já denuncia a tentativa quase desesperada de preencher a cadeira vazia na mesa do brunch com novos rostos e questões contemporâneas.

Carrie agora é a cota branca cis em um podcast apresentado por Che, uma comediante cheia de atitude interpretada por Sara Ramirez, que gosta de cutucar a protagonista por ser a “casada cis hétero uptight”. Miranda largou o direito corporativo para estudar direitos humanos e se vê aprendendo a tropeços com a professora Nya. Charlotte mergulha num mundo de mães ricas, amigas negras rotuladas pelo roteiro como “a Charlotte negra”, e vive situações que tentam forçar debates raciais de maneira didática demais.

É aí que a série escorrega. O roteiro parece mais preocupado em blindar críticas do que em deixar suas personagens falharem de verdade. Quando Miranda fala o que não deve para Nya, logo salva a cena num ato heroico meio improvisado. Quando Charlotte comete uma confusão constrangedora ao confundir duas mulheres negras, resolve o problema recitando nomes de artistas negros em uma performance quase cômica de autoconsciência. Fica a pergunta incômoda: será que “And Just Like That…” está questionando as falhas das suas protagonistas ou apenas aplaudindo o quanto elas são “abertas para aprender”?

Mesmo assim, há lampejos de algo real. A morte repentina de Mr. Big é o grande motor emocional do início da temporada, com Carrie se afundando em um luto pesado que ganha ainda mais peso ao dividir a cena com Stanford, interpretado pelo saudoso Willie Garson. Ver Garson em meio a um funeral, enquanto fora das câmeras ele próprio já enfrentava o fim da vida, é algo que só a passagem do tempo poderia proporcionar. Essa metalinguagem involuntária, entre o ficcional e o inevitável, cria momentos de TV que fogem do controle calculado do revival.

Por outro lado, o humor perdeu parte do veneno original. Os diálogos sobre Nova York soam quase turísticos, do tipo “você sabia que nova-iorquinos têm cachorros?”. As piadas datadas sobre apps de namoro parecem tiradas de um stand-up genérico. O podcast de Che funciona mais como veículo para soltar monólogos sobre representatividade do que para dar alguma profundidade ao personagem.

Ainda assim, há algo que salva “And Just Like That…”. Quando deixa de lado a ânsia por se mostrar atualizada e abraça o que sempre foi seu melhor trunfo (a cumplicidade imperfeita entre essas mulheres) a série respira. O casamento de Miranda e Steve, por exemplo, é retratado com a doçura prosaica de quem já vive no automático dos streams e das sobremesas noturnas. Charlotte virou um clichê de mãe neurótica, mas faz isso com a leveza que o papel pede. E Carrie, mesmo em luto, carrega aquela fagulha de quem ainda se emociona com a cidade passando pela janela, cigarro na mão, tentando entender onde tudo foi parar.

No fundo, “And Just Like That…” tenta demais ser relevante e progressista, mas acaba reencontrando um pedaço do coração que faltava nos filmes anteriores. É menos um ataque do que uma reconciliação com o passado, com o bônus de trazer o envelhecer para o centro, algo que tantas séries evitam como se fosse contagioso.

Pode até ser que Peloton tenha matado Mr. Big, mas essa nova etapa das ex-garotas de Manhattan, no fim das contas, não vai te matar. Talvez até te faça sorrir por lembrar do que a série foi um dia, enquanto deixa no ar a possibilidade de que há, sim, vida depois dos 50.

“And Just Like That…” (2021)
Criado por Michael Patrick King
Elenco: Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kristin Davis
Disponível em Max

⭐⭐⭐

Avaliação: 2.5 de 5.

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Temas: CríticaResenhaReview

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