Tem algo de agridoce em acompanhar a jornada de Carrie, Miranda e Charlotte em “And Just Like That…”, enquanto elas continuam tropeçando, se reinventando e tentando segurar as pontas dos cinquenta e tantos anos na sempre inquieta Nova York. A segunda temporada, que chegou ao Max em junho de 2023, é uma tentativa mais sólida do que a primeira de provar que ainda existe gás nessa franquia tão pop, mas continua carregando uma sensação estranha de não saber exatamente por que voltou.
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É curioso como a série parece ter virado uma vitrine de personagens que orbitam Carrie, Miranda e Charlotte sem conseguir achar um eixo real para essas novas trajetórias. Nicole Ari Parker (Lisa), Karen Pittman (Nya) e Sarita Choudhury (Seema) são atrizes poderosas, que mereciam tramas à altura. Só que o roteiro insiste em colocá-las em meias-histórias, como se fosse uma colcha de retalhos multicultural tentando provar relevância. É bom ter diversidade, mas melhor ainda é dar substância para esses papéis. O que sobra são enredos que começam promissores e terminam no nada, deixando a impressão de que assistimos a vários seriados diferentes dentro de um só.
Mas é quando a trama volta para quem realmente interessa que o seriado se justifica. Miranda, por exemplo, abre a temporada em Los Angeles vivendo o auge do seu romance com Che, personagem de Sara Ramirez. É provavelmente o arco mais bem trabalhado de toda a temporada, surpreendendo por mostrar uma evolução honesta, sensível, que faz quem acompanha há décadas soltar um “olha só, Miranda cresceu de verdade”. Che também ganha nuances que não existiam antes, fugindo do estereótipo de “personagem só para lacrar”.
Enquanto isso, Carrie começa a temporada promovendo o livro que escreveu sobre a morte de Big. Sarah Jessica Parker entrega uma Carrie vulnerável, desajeitada, que tenta reaprender quem é sem aquele marido grandalhão na retaguarda. A aparição de Candice Bergen como a inesquecível editora Enid Frick é um presentão, ela surge soltando verdades do alto dos seus próprios perrengues pessoais, deixando claro que não é só a protagonista que tenta se reinventar.
E aí chega o tão falado retorno de Aidan, interpretado por John Corbett. A entrada dele traz um sopro de esperança para quem cansou da espiral melancólica de Carrie. Existe algo de magnético no reencontro dos dois, e fica fácil torcer para que o roteiro não estrague tudo no meio do caminho. Afinal, a história de Carrie e Aidan sempre foi tão intensa quanto torta, o que garante aquela química agridoce que faz o público se apertar no sofá.
Já Miranda volta a ter picos de brilho ao lado de Che, mas também passa por umas situações que parecem feitas só para render GIFs desconfortáveis. Charlotte, por outro lado, está cada vez mais entregue ao papel de mãe neurótica, mas Kristin Davis segura as pontas com aquele timing cômico que transforma dramas banais em pequenas joias.
Falta, no entanto, aquela essência que fez “Sex and the City” ser o fenômeno que foi. Os diálogos ácidos, as confissões embriagadas nos cafés e bares, o sexo tratado sem pudor e cheio de humor. Quando Carrie, Miranda e Charlotte finalmente sentam para uma conversa franca, o seriado ganha alma, e fica claro que é esse trio, com todas as suas falhas, que sustenta o legado. Dá uma pontada de nostalgia lembrar o quanto Samantha faz falta mesmo com o prometido retorno de Kim Cattrall lá no finalzinho da temporada. É quase cruel ter que esperar tanto para sentir aquele tempero que só ela sabia dar.
O humor ainda aparece em frases espertas jogadas aqui e ali, mas muitas situações acabam se arrastando, como se a produção tivesse medo de ousar. Exemplo disso são as cenas superproduzidas em eventos tipo Met Gala, que parecem prometer grandes revelações, mas terminam do mesmo jeito que começaram: bonitas, porém ocas. Fica sempre a sensação de que algo grandioso está prestes a acontecer, mas fica só na promessa, como aquelas reticências do título que nunca levam a lugar algum.
Ainda assim, quem é fã de longa data dificilmente vai abandonar o barco. “And Just Like That…” é como um relacionamento antigo que já teve lá seus dias mais intensos, mas sobrevive pela memória do que foi e pela esperança do que ainda pode ser. É falho, meio perdido, porém cheio de afeto, e continua entregando momentos que valem o brinde com cosmopolitan no fim do dia. Porque, no fim das contas, tem algo muito reconfortante em ver essas mulheres lidando com as dores e delícias de envelhecer em Nova York, por mais confusa que essa trajetória pareça.
“And Just Like That…” (2023)
Criado por Michael Patrick King
Elenco: Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kristin Davis
Disponível em Max
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