Ideias fáceis de vender costumam carregar um detalhe curioso, quase sempre já foram vistas antes, apenas mudam de cenário, de criatura ou de embalagem. Em “Ataque Brutal”, essa lógica aparece sem qualquer tentativa de disfarce. O filme entende perfeitamente o tipo de produto que quer ser, mas também deixa claro o quanto depende de fórmulas recicladas para existir.

A proposta é direta. Uma cidade é tomada por uma tempestade devastadora, a água invade tudo e transforma espaços domésticos em territórios hostis. No meio desse caos, tubarões passam a circular como predadores oportunistas. A protagonista, vivida por Phoebe Dynevor, se vê presa nesse cenário enquanto tenta sobreviver a uma ameaça que surge de todos os lados. O medo deixa de estar no horizonte e passa a ocupar salas, corredores e qualquer espaço aparentemente seguro.
Sob o comando de Tommy Wirkola, conhecido por brincar com conceitos exagerados, o longa aposta em um terror mais físico e imediato. Diferente da tensão clássica que sugere o perigo, aqui os ataques acontecem de forma brusca, quase caótica. Os tubarões não rondam, eles invadem, criando uma dinâmica que flerta com o descontrole total.
Nos primeiros momentos, essa abordagem funciona. As sequências da inundação são bem construídas, com efeitos visuais que sustentam a sensação de escala e destruição. O elenco de apoio, que inclui Whitney Peak e Djimon Hounsou, ajuda a dar volume à narrativa, oferecendo diferentes perspectivas dentro do desastre. Existe um esforço em construir um grupo que vá além da função básica de vítimas.
O problema surge conforme a história avança. A repetição de situações começa a enfraquecer o impacto inicial, e o roteiro passa a depender de conveniências para manter seus personagens vivos. A ameaça perde força quando começa a obedecer às necessidades da narrativa, deixando de parecer instintiva para se tornar previsível.
Outro ponto que pesa é a contenção nas cenas mais violentas. Um filme centrado em predadores desse tipo carrega uma expectativa específica, e quando essa entrega não acontece com consistência, a frustração aparece. A tensão é construída, mas raramente encontra um desfecho à altura, como se o filme hesitasse em ultrapassar certos limites.
Ainda assim, existem momentos que se destacam. Algumas sequências isoladas conseguem capturar o potencial da proposta, especialmente quando abraçam o exagero sem medo. Nessas ocasiões, “Ataque Brutal” se aproxima de algo mais memorável, quase como um eco das produções que entendem o valor do absurdo dentro do gênero. Quando se permite exagerar, encontra identidade.
O que permanece é a sensação de déjà vu. A estrutura, os conflitos e até os sustos seguem um caminho familiar demais. O filme diverte em doses controladas, mas dificilmente surpreende, funcionando como mais um capítulo dentro de uma fórmula que continua sendo reutilizada sem grandes variações.
“Ataque Brutal” é o tipo de experiência que acompanha bem uma sessão descompromissada. Cumpre o básico, entrega momentos de tensão e aposta em uma premissa que já provou funcionar inúmeras vezes. Para quem busca novidade, pode soar repetitivo. Para quem aceita o jogo, ainda oferece algum entretenimento.
“Ataque Brutal”
Direção: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Whitney Peak, Djimon Hounsou
Disponível em: Netflix
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