Tem filme que não precisa reinventar nada para funcionar. Basta fazer o básico com convicção e entregar uma experiência sólida dentro do que promete. “Ataque Terrorista” é exatamente isso: um thriller de ação que bebe direto da fonte de “Invasão à Casa Branca”, mas troca Washington por Helsinque, trocando o calor do patriotismo americano pelo gelo do pragmatismo finlandês.
- The Town 2025: Coca-Cola leva fãs para show inédito de Pedro Sampaio no Coke Studio
- Crítica: “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (The Fantastic Four: First Steps)
- Quais devem ser as atrações do Lollapalooza Brasil 2026?
Inspirado no livro de Ilkka Remes, considerado por muitos o Tom Clancy da Finlândia, o longa apresenta um atentado coordenado que interrompe as celebrações do Dia da Independência e coloca a política europeia em xeque. O presidente é feito refém, há diplomatas presos, terroristas armados e um passado mal resolvido que conecta espiões, negociadores e velhos aliados. Parece genérico? É. Mas dentro dessa previsibilidade mora um certo charme.
A direção de Aku Louhimies se destaca por abraçar a simplicidade sem perder a tensão. A câmera não tenta ser protagonista, a montagem evita firulas, e a narrativa segue numa linha reta que até soa antiquada, mas tem ritmo. Há um certo gosto por cenas longas e silenciosas, o que dá ao filme uma cara mais fria, mais distante, bem ao estilo escandinavo. Não é o tipo de ação histérica e explosiva que Hollywood costuma entregar, mas isso também é mérito.
O elenco, ainda que não tenha muito espaço para brilhar, entrega o que se espera. Jasper Pääkkönen e Nanna Blondell fazem o possível com personagens que beiram o estereótipo, mas seguram bem o eixo da trama. Há um esforço para atribuir profundidade aos conflitos, principalmente com o trauma que liga os protagonistas a um incidente na Estônia, mas isso fica mais sugerido do que realmente desenvolvido. As emoções são tratadas com contenção, o que enfraquece a conexão com o público, mas talvez seja uma escolha consciente para manter o tom seco da narrativa.
O que realmente segura o filme são as sequências de ação bem coreografadas, com tiroteios tensos e situações claustrofóbicas que exploram bem os espaços internos. O Palácio Presidencial vira quase um personagem, e o jogo de gato e rato entre sequestradores e agentes de segurança tem seus bons momentos. O problema é que tudo isso vem cercado de personagens genéricos, falas clichês e uma trama que se leva mais a sério do que deveria.
“Ataque Terrorista” ainda tenta flertar com temas atuais como ciberterrorismo, interferência internacional e instabilidade política na Europa, mas faz isso de forma tímida. Não há tempo ou ambição suficiente para desenvolver isso com a densidade necessária. O resultado é um filme que se apoia no conflito armado mais do que na reflexão. E talvez seja justamente isso que o torna digerível: ele promete ação e entrega, sem muitas curvas, sem muita conversa.
Não é memorável, mas também não é esquecível. Funciona como entretenimento rápido, daqueles que se assiste num domingo sem culpa, com uma cerveja na mão e a mente em ponto morto. E para um filme de ação finlandês, já é um feito.
“Ataque Terrorista“
Direção: Aku Louhimies
Elenco: Jasper Pääkkönen, Nanna Blondell, Sverrir Gudnason, Cathy Belton, Nika Savolainen
Disponível em: Prime Video
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.