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Crítica: Ava Max, “Don’t Click Play”

O pop sempre vive de ciclos. Há artistas que surgem com uma estética marcante, moldam uma era, e depois se veem diante do desafio de provar que são mais que um rosto associado a um hit viral. Ava Max chegou à terceira etapa de sua carreira com “Don’t Click Play”, um disco que carrega justamente esse dilema. É um trabalho que tenta equilibrar a necessidade de firmar identidade e, ao mesmo tempo, escapar da sombra de comparações inevitáveis com outras grandes figuras do gênero.

Crítica: Ava Max, “Don’t Click Play”

O título por si só já entrega muito: há ironia, autorreferência e uma tentativa de subverter a expectativa do público. A capa, com Ava dentro de um triângulo flamejante em formato de botão de play, é simbólica dessa provocação. Mas o que encontramos dentro do álbum é menos radical do que o gesto sugere. Em vez de uma reinvenção completa, o que “Don’t Click Play” oferece é um retorno a fórmulas familiares, recheadas de refrões pensados para a pista, mas que raramente ousam atravessar fronteiras.

Tecnicamente, o disco é bem acabado. A produção, assinada por nomes já conhecidos do pop como Pink Slip e David Stewart, tem a clareza polida que se espera de uma artista com esse porte. Cada batida, cada synth, cada drop está no lugar certo, mas o efeito colateral é a sensação de previsibilidade. Em vários momentos, o ouvinte reconhece estruturas que poderiam estar em qualquer outro álbum de dance-pop da última década.

O curioso é que Ava parece consciente disso. A faixa-título brinca com a ideia das críticas que recebe, absorvendo o incômodo e transformando-o em parte da sua narrativa. É como se ela dissesse: vocês vão falar de comparações com Lady Gaga? Então aqui está, direto no meu verso. Só que essa atitude, por mais espirituosa que seja, não consegue mascarar a limitação de um projeto que insiste em andar em círculos.

O disco também traz reflexões sobre autocapacitação, críticas online e o processo de cura emocional, temas que Ava já havia sinalizado em entrevistas. Mas as letras soam frágeis, quase rasas, presas a slogans fáceis que funcionam em singles, mas não sustentam um corpo de trabalho maior. O contraste é evidente: quando a produção tenta elevar o clima, a escrita empurra de volta para o óbvio. O resultado é um álbum que entrega energia, mas não profundidade.

Comparado a “Heaven & Hell” e “Diamonds & Dancefloors”, o novo trabalho não tem o mesmo frescor de estreia nem a coesão de quem encontrou seu caminho. O que se ouve aqui é um disco que sobrevive de lampejos. Existem momentos de brilho, principalmente quando Ava relaxa no papel de popstar e deixa a voz fluir em interpretações menos engessadas. Nesses trechos, a lembrança de que ela pode sim ocupar um espaço sólido na música pop volta a aparecer.

No entanto, o saldo final é de frustração. “Don’t Click Play” tenta ser um manifesto, mas soa como um produto em busca de direção. Há talento, há carisma, mas falta uma visão que una tudo isso em algo verdadeiramente memorável. O álbum cumpre a função de entregar alguns refrões grudentos e faixas dançantes, mas fica longe de firmar Ava Max como uma figura indispensável no cenário atual.

É um trabalho que nos lembra de duas coisas: primeiro, que Ava tem energia suficiente para continuar no jogo; segundo, que essa mesma energia precisa de um projeto artístico mais consistente para realmente brilhar. Se o botão de play deve ser clicado, a resposta é sim, mas sem grandes expectativas. É divertido em partes, mas está longe de ser o disco que poderia redefinir sua trajetória.

Nota: 45/100 | Ava Max, “Don’t Click Play”

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