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Crítica: “Bala Perdida 3” (Last Bullet)

Texto: Ygor Monroe
12 de maio de 2025
em Cinemas/Filmes, Netflix, Resenhas/Críticas, Streaming

“Bala Perdida 3” consolida-se como o ápice de uma trilogia que, silenciosamente, redefine os parâmetros do cinema de ação europeu ao reafirmar a centralidade da fisicalidade e da execução prática em uma era dominada por CGI e espetáculo digitalizado. Dirigido novamente por Guillaume Pierret, o longa conclui a trajetória de Lino com um senso de coerência interna raro em sagas do gênero, mantendo o rigor técnico e a consistência estética que tornaram os dois filmes anteriores cultuados entre os apreciadores de ação artesanal. Longe de uma fórmula exausta, a trilogia “Bala Perdida” compõe um estudo preciso da tensão entre vingança pessoal e corrupção sistêmica, utilizando a narrativa clássica de justiça pelas próprias mãos como eixo dramático, mas evitando os atalhos narrativos fáceis que empobrecem muitas produções do mesmo escopo.

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Crítica: "Bala Perdida 3" (Last Bullet)
Crítica: “Bala Perdida 3” (Last Bullet)

O terceiro capítulo se inicia com Lino já estabelecido como herói marginal e injustiçado, mas agora em posição de ataque. Livre das acusações que o perseguiam, ele concentra sua fúria em desmantelar de vez a rede policial corrupta que destruiu sua vida. A direção de Pierret prioriza a verossimilhança dos conflitos físicos e mecânicos, reduzindo a artificialidade visual em favor de uma coreografia de perseguições e colisões em que cada movimento tem peso, gravidade e consequência. Nesse sentido, “Bala Perdida 3” se distancia dos blockbusters de ação anglófonos recentes, que muitas vezes reduzem a lógica interna de seus universos em favor de set pieces inconsequentes. Aqui, o impacto é físico, tangível e inserido em uma dramaturgia que respeita o tempo da ação.

As perseguições automobilísticas, sempre o ponto alto da série, alcançam aqui um novo patamar. A recusa do CGI em favor de efeitos práticos não é uma escolha estética isolada, mas uma postura ética de mise-en-scène, que reivindica o trabalho corporal dos dublês, o peso real dos veículos e a lógica espacial como centro da encenação. As modificações absurdas no carro de Lino como os para-choques com espinhos ou dispositivos de eletrochoque são tratadas menos como excentricidades narrativas e mais como extensões da identidade do personagem: brutal, resiliente e inventivo. No terceiro filme, embora a engenharia automotiva seja menos criativa que nos anteriores, ela ainda produz efeitos visuais contundentes, capazes de construir tensão sem recorrer a exageros gráficos.

Alban Lenoir reafirma-se como um dos protagonistas de ação mais subestimados da atualidade. Sua presença física não é apenas um dado corporal, mas uma extensão da dramaturgia do filme, que aposta em sua expressividade silenciosa para sustentar sequências que dispensam diálogos. Sua performance incorpora o desgaste físico da jornada de Lino, conferindo ao personagem uma dimensão quase estoica, contrastada com a ferocidade das perseguições. É uma atuação que, embora ancorada no cinema de gênero, preserva uma dimensão dramática palpável, o que contribui para o envolvimento emocional do espectador.

Narrativamente, o longa ousa ao deslocar momentaneamente o protagonismo para novos personagens, o que surpreende positivamente e indica maturidade de construção. Ainda que a tentativa de humanizar o antagonista original com motivações mais elaboradas apresente resultados limitados, o esforço é válido no contexto de uma trilogia que, desde o início, se recusa a funcionar em modo automático. Esse gesto revela um projeto autoral disfarçado de produto de gênero, em que o compromisso com a continuidade temática e estilística é mais importante que o apelo mercadológico imediato.

Se há um ponto de desgaste em “Bala Perdida 3”, ele reside nas sequências de combate corpo a corpo, que não alcançam a mesma fluidez e impacto das duas primeiras partes. A coreografia, embora funcional, carece do refinamento que as perseguições exibem com tanta autoridade. Ainda assim, essa assimetria técnica é compensada pela direção segura, que jamais permite que a ação se torne incoerente ou gratuita. Pierret domina a lógica do espaço diegético com rara clareza, permitindo ao espectador compreender a geografia dos combates e extrair prazer da construção sequencial.

Diante da avalanche de conteúdo indistinto que povoa plataformas como a Netflix, é quase um paradoxo que uma obra com esse grau de refinamento técnico e precisão narrativa seja lançada com tão pouca visibilidade promocional. A ausência de trailers localizados ou campanhas robustas de marketing parece incompatível com o potencial da obra.

Se “Bala Perdida 3” encerra de fato a trajetória de Lino, o faz de forma exemplar: não apenas conclui um arco dramático com integridade, mas reafirma que o cinema de gênero, quando tratado com rigor e respeito ao ofício, ainda é capaz de surpreender. A série, de forma discreta porém firme, estabelece um novo padrão para o cinema de ação europeu, um padrão que recusa a superficialidade digital e revaloriza o gesto físico, a mecânica real e a narrativa funcional como pilares inegociáveis do espetáculo.

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

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Temas: CinemaCríticaResenhaReview

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