“Becoming Madonna” parte de um recurso simples, mas de grande impacto: fitas de áudio recém-descobertas onde uma jovem Madonna fala de si mesma, de seus desejos e de sua visão de futuro. A obra ganha corpo a partir dessa matéria-prima e se transforma em um documento precioso sobre a construção de um dos maiores fenômenos culturais do século XX.
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O filme nos lembra que Madonna foi mais do que a maior estrela pop dos anos 80. Ela foi um ponto de ruptura. Uma mulher que trouxe o espírito do punk para dentro da música pop, que usou o corpo como discurso e a provocação como ferramenta política. Enquanto muitos artistas se acomodavam no espetáculo, ela transformava o espetáculo em manifesto. Madonna não se limitava a cantar, ela gritava contra tabus, contra dogmas e contra uma indústria que a queria domesticada.
“Becoming Madonna” se destaca por romper a narrativa preguiçosa que sempre a reduz a polêmica. Aqui ela aparece como compositora, como instrumentista, como uma criadora obcecada em refinar suas ideias. É fascinante ouvir suas primeiras demos, sua passagem como baterista e guitarrista, perceber que por trás da imagem calculada existia uma artista que sabia exatamente o que queria construir. Esse aspecto é fundamental, pois mostra que sua trajetória nunca foi fruto do acaso, mas de estratégia, talento e disciplina feroz.
Outro mérito da obra é mergulhar no contexto histórico. O documentário relembra como Madonna se posicionou em meio à epidemia de AIDS, quando boa parte da indústria preferia o silêncio. A coragem de usar sua plataforma para defender os marginalizados, para dar voz a quem era atacado, fez dela não só uma estrela, mas também uma aliada incansável. Se hoje celebramos a liberdade de expressão feminina e a diversidade sexual no mainstream, é impossível ignorar o papel que Madonna teve em abrir essas portas.
Há momentos de pura beleza, como o segmento em que meninas falam sobre se sentirem empoderadas ao se vestirem como ela, cheias de cores, rendas e ousadia. O impacto é visível: de Chappell Roan a Olivia Rodrigo, passando por Charli XCX, o legado de Madonna continua vivo em cada nova geração que encontra nela um modelo de insubmissão. É como se o filme dissesse que Madonna não apenas moldou uma era, mas fundou uma linguagem que o pop segue repetindo até hoje.
É verdade que a obra deixa lacunas. O recorte que vai até o início dos anos 90 limita o alcance de uma carreira tão monumental. Não há espaço para o ícone da moda, para a atriz, para a Madonna que se reinventaria muitas vezes depois. Ainda assim, dentro dessa delimitação, o documentário é poderoso e cumpre seu papel de mostrar como os primeiros passos de sua jornada já carregavam toda a ambição e genialidade que a transformariam em um fenômeno global.
“Becoming Madonna” é, acima de tudo, um retrato da obstinação. Um lembrete de que sua presença sempre incomodou porque ela nunca pediu licença. Madonna transformou insultos em combustível, críticas em estética, censura em provocação. Assistir ao documentário é reviver o nascimento de uma artista que nunca quis ser aceita, mas sim lembrada. E o resultado é inegável: ela mudou a cultura para sempre.
“Becoming Madonna”
Direção: Michael Ogden
Elenco: Madonna, Michael Jackson, Ronald Reagan, Sean Penn, Vincent Paterson
Disponível em: Universal+
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