“Beekeeper – Rede de Vingança” é um daqueles filmes que parecem nascer de uma piada interna e, ainda assim, ganham forma dentro do cinema de ação mainstream. Dirigido por David Ayer, a produção parte de uma premissa tão absurda quanto fascinante: uma organização secreta chamada Beekeepers, formada por agentes com liberdade absoluta para restabelecer a ordem quando o sistema falha. A ideia, que poderia soar como metáfora política ou alegoria sofisticada, aqui é levada às últimas consequências de maneira quase cômica. E é justamente nesse exagero que o filme encontra seu maior charme.
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O longa abre com imagens estilizadas de colmeias, hexágonos e referências diretas ao universo das abelhas, preparando o espectador para um espetáculo onde cada detalhe insiste em reforçar essa metáfora. É impossível assistir sem rir do excesso, mas ao mesmo tempo há uma consciência divertida em como tudo é construído. Jason Statham, mais uma vez no papel do justiceiro imbatível, interpreta Adam Clay, um ex-agente que decide viver como apicultor até ser arrastado de volta ao mundo da violência quando uma fraude financeira vitima sua amiga. A partir daí, a trama se transforma em uma espiral de vingança contra magnatas corruptos, instituições poderosas e figuras políticas, sempre com punhos cerrados, tiros precisos e frases de efeito com trocadilhos sobre abelhas.
A estrutura narrativa é simples e pouco sutil, mas David Ayer demonstra habilidade em montar sequências de ação visualmente claras e intensas. Não há espaço para coreografias confusas: cada luta é registrada com ritmo e brutalidade, permitindo que Statham brilhe como ícone de pancadaria. As cenas de combate são o coração pulsante do filme, variando entre confrontos individuais de força bruta e massacres coreografados contra grupos inteiros. Esse cuidado técnico faz com que a obra, por mais absurda que seja em conceito, nunca perca a eficácia como cinema de ação.
O vilão vivido por Josh Hutcherson se destaca como um retrato caricato e divertido do típico herdeiro sem escrúpulos, ampliando a sensação de exagero que permeia toda a narrativa. Jeremy Irons, com seu peso dramático, surge para dar credibilidade institucional ao enredo, enquanto Emmy Raver-Lampman oferece uma contraposição emocional como filha da personagem vitimada no início. São atuações que, ainda que presas a arquétipos, contribuem para o ritmo ágil da produção.
No entanto, é impossível ignorar que o filme se leva a sério demais em sua proposta simbólica. A insistência em tratar a metáfora das abelhas como algo profundo gera momentos involuntariamente cômicos, e talvez essa mistura de seriedade e ridículo seja justamente o que torna “Beekeeper – Rede de Vingança” tão singular. Não se trata de um thriller sofisticado, mas de uma obra que sabe entregar catarse pura, rindo de si mesma enquanto satisfaz o espectador com violência estilizada.
É um filme desprovido de sutilezas, mas cheio de energia. A simplicidade do roteiro se equilibra com o espetáculo visual e a performance segura de Jason Statham, que confirma mais uma vez porque é um dos poucos atores capazes de carregar esse tipo de produção nas costas. Se a ideia de apicultores justiceiros soa absurda, talvez seja porque o próprio cinema de ação precise desse tipo de loucura para continuar vivo.
“Beekeeper – Rede de Vingança”
Direção: David Ayer
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Jason Statham, Emmy Raver-Lampman, Josh Hutcherson, Jeremy Irons
Disponível em HBO Max
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