Existem filmes que já nascem com um carimbo de nostalgia barata, e “Bem-Vindo à Morte Súbita” é exatamente isso. Oficialmente vendido como uma continuação de “Morte Súbita”, clássico de ação dos anos 90 estrelado por Jean-Claude Van Damme, o longa na verdade é muito mais um remake disfarçado, quase uma cópia carbono que tenta se modernizar na marra. Só que o resultado, convenhamos, é aquele tipo de sessão que a gente assiste com a sensação de já ter visto tudo antes e de forma bem melhor.
- The 0.0 Run: Heineken 0.0 estreia no universo das corridas de rua
- H&M chega ao Brasil reunindo música e moda
- Crítica: “Pssica”
A trama é simples, daquelas que cabem em uma sinopse de duas linhas: Jesse (Michael Jai White), ex-agente das forças armadas, agora trabalha como segurança e leva as filhas para assistir a um jogo de basquete. A diversão vira pesadelo quando terroristas invadem o estádio e fazem reféns. Pronto, temos aí a receita clássica que vai de “Duro de Matar” até “O Ataque” com Channing Tatum. A diferença é que aqui a mistura não ferve, ela só esquenta morna e logo perde o gosto.
Michael Jai White é o motor que ainda dá alguma dignidade a essa produção. Carismático, ágil e com presença de tela, ele lembra muito aqueles astros de ação que nasceram na época errada. Nos anos 80 ou 90 teria reinado fácil ao lado de nomes como Wesley Snipes ou Dolph Lundgren. Hoje, acaba preso em produções como essa, que mais parecem feitas para encher catálogo de streaming do que para realmente deixar marca. Ele segura o filme sozinho, mas ninguém consegue salvar um roteiro que tropeça em si mesmo a cada virada.
A direção de Dallas Jackson é outro problema. Se “Morte Súbita” original tinha aquele charme de ação suada, com explosões práticas e tensão crescente, “Bem-Vindo à Morte Súbita” aposta em efeitos digitais pobres, fotografia berrante e um humor que nunca encontra o timing certo. É como se o filme quisesse brincar com a própria proposta, mas não tivesse coragem de assumir o exagero de vez. O resultado é um meio-termo sem energia, que fica preso entre a paródia involuntária e o thriller que tenta se levar a sério.
O ritmo também não ajuda. A ação demora para começar, o que seria aceitável se houvesse alguma construção dramática interessante, mas não há. Quando enfim chegam as cenas de luta, algumas até funcionam, mérito da coreografia assinada por Larnell Stovall, que já mostrou serviço em “Black Dynamite” e “Undisputed III”. Só que mesmo nesses momentos, a montagem atropela os movimentos, como se o próprio filme tivesse medo de deixar a cena respirar.
“Bem-Vindo à Morte Súbita” é aquele tipo de obra que parece feita sob encomenda para nostálgicos do gênero, mas que acaba lembrando como Hollywood já soube entregar muito mais com muito menos. É um thriller de ação que nunca chega a ser emocionante, nunca chega a ser engraçado e, no máximo, serve como vitrine para o talento desperdiçado de Michael Jai White. É um déjà vu que confirma uma verdade antiga: algumas franquias deveriam ter ficado no passado.
“Bem-Vindo à Morte Súbita”
Direção: Dallas Jackson
Elenco: Michael Jai White, Michael Eklund, Gillian White
Disponível em: Netflix
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.