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Crítica: Benson Boone, “American Heart”

Tem discos que soam como vitrines: muito brilho, tudo no lugar, estética impecável, mas sem nenhum calor humano vindo do outro lado do vidro. É esse o grande dilema de “American Heart”, segundo álbum de estúdio de Benson Boone, que até tenta contar uma história de amadurecimento emocional, mas parece feito mais para impressionar do que para emocionar.

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Crítica: Benson Boone, “American Heart”

O disco se anuncia como um passo além do viral que o consagrou. Existe, sim, uma tentativa honesta de se afastar do molde criado por “Beautiful Things”, e essa tentativa até merece respeito. O problema é que Boone ainda não descobriu como preencher esse novo espaço com substância. “American Heart” tem um discurso de autenticidade que esbarra numa execução engessada, ensaiada demais para soar verdadeira.

A produção do álbum é limpa até demais. Polida a ponto de tirar qualquer aresta que pudesse sugerir algo cru, espontâneo ou minimamente fora do controle. É tudo muito correto. As harmonias seguem aquela lógica segura das fórmulas radiofônicas americanas que nunca envelhecem, mas que também raramente dizem alguma coisa nova. A sonoridade aposta em reverberações épicas, climas que tentam soar nostálgicos e um certo espírito “retrô” que mais parece artifício do que inspiração real. É como ver um musical sobre a América profunda sem sair de um set de Los Angeles.

Ao longo do disco, a intenção é clara: Boone quer se provar como um cantor-compositor sério, com coração, vulnerabilidade e uma conexão genuína com suas raízes. Só que essas intenções se perdem no meio de arranjos pomposos e letras que falam muito, mas dizem pouco. O álbum parece tentar o tempo inteiro justificar sua existência com estética, com discurso, com elementos externos… mas raramente entrega isso na própria música.

A performance vocal é tecnicamente boa, claro. Boone sabe cantar, sabe modular emoção, sabe soar delicado e dramático no mesmo verso. Mas há um excesso de teatralidade que esvazia a conexão. Fica tudo grandioso demais, como se cada faixa fosse feita para ser tocada no encerramento de um episódio de série adolescente. É a trilha sonora perfeita para um momento catártico genérico, daqueles que ninguém lembra uma semana depois.

Mesmo nos pontos altos, o disco nunca escapa da sensação de que existe um artista interessante ali dentro, sufocado por escolhas seguras e arranjos que gritam mais alto do que a própria voz que tenta emergir. É frustrante perceber que há um certo potencial na base de tudo isso, mas que a ambição estética acaba falando mais alto que qualquer emoção real.

“American Heart” não é um desastre. Está longe disso. É bem gravado, é fácil de ouvir, funciona como entretenimento leve. Mas também é um daqueles álbuns que somem da memória no segundo seguinte ao fim da última faixa. Um trabalho que tenta muito parecer significativo, mas que, no fim, entrega só mais um punhado de boas intenções embrulhadas num pop plastificado, fabricado para tocar fundo, mas que só arranha a superfície.

Se essa é a nova fase de Benson Boone, então talvez ainda falte uma virada real. Uma que troque o marketing pela vulnerabilidade crua. Uma que se permita errar para, quem sabe, acertar com mais força. Porque talento existe. O que está faltando é coragem.

Nota: 50/100

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