A gente vive reclamando que comédias boas andam em falta, mas quando aparece algo como “Casamentos Cruzados”, dá até pra entender o porquê. O filme de Nicholas Stoller tem uma premissa que no papel soa perfeita para uma daquelas farofas românticas deliciosas: dois casamentos completamente diferentes, acidentalmente marcados para o mesmo dia e no mesmo lugar, provocando uma guerra de egos, flores, bolos e playlists. Só que, ao invés de extrair o melhor do caos, o longa se contenta em ser uma bagunça barulhenta, repleta de piadas sem graça e situações tão absurdas que fica difícil decidir se dá vontade de rir ou de chorar.
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Reese Witherspoon vive Margot, uma irmã dedicada a planejar o casamento dos sonhos para a caçula, enquanto Will Ferrell interpreta Jim, um pai desesperado para casar a filha do jeito que sempre imaginou. O choque de vontades entre os dois seria a faísca perfeita para uma comédia espirituosa, mas o filme resolve abraçar o pastelão puro e simples, jogando no colo do espectador uma sequência interminável de gritarias e até uma luta gratuita com um jacaré. Sim, um jacaré. Porque, aparentemente, é nisso que Hollywood aposta quando falta roteiro.
A tal química entre Ferrell e Witherspoon, que poderia salvar o projeto, não aparece nem com reza brava. Eles transitam por um emaranhado de clichês tão velhos que fariam um sitcom dos anos 90 virar os olhos. As piadas se repetem, as brigas soam forçadas, e o filme jamais consegue decidir se quer ser um romance fofo, uma sátira maluca ou apenas um grande circo de constrangimentos. No fim das contas, é um pouco de tudo, mas nada bem feito.
Ainda assim, há pequenas fagulhas de graça perdidas nesse tumulto. Celia Weston surge como um sopro de vida sempre que abre a boca, Meredith Hagner e Jack McBrayer tiram risadas honestas com suas caras e bocas, e até Nick Jonas, surgindo como um padre cantor de Creed, consegue divertir. Mas tudo isso é tão passageiro que parece uma piscada antes do filme afundar novamente em piadas sobre gente gritando e se perdendo em bolos.
E não dá para esquecer o momento em que Jim e suas filhas cantam “Islands in the Stream”. O que poderia ser fofo vira algo que fica entre o bizarro e o incômodo, gerando um dos duetos pai-filha mais esquisitos já registrados em cinema. Sem falar no final, que tenta encaixar um romance entre Margot e Jim do nada, num giro tão preguiçoso que faz qualquer envolvimento parecer completamente implausível.
No fim das contas, “Casamentos Cruzados” é como aquele convite que chega todo bonito, com envelope chique e promessa de open bar, mas que, quando você chega lá, descobre que só tem cerveja quente e DJ ruim. O filme até entrega algumas gargalhadas ocasionais, mas falha feio em criar qualquer emoção que faça valer a lembrança no dia seguinte.
Quem gosta de assistir desastres matrimoniais escalando até o absurdo pode até achar um divertimento raso aqui. Mas, honestamente, tem tanta comédia melhor esperando para ser redescoberta que esse convite dá vontade de recusar educadamente.
“Casamentos Cruzados“
Direção: Nicholas Stoller
Elenco: Reese Witherspoon, Will Ferrell, Geraldine Viswanathan Disponível na Amazon Prime Video
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