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Crítica: “Chamas da Vingança” (Firestarter)

Texto: Ygor Monroe
15 de outubro de 2024
em Cinemas/Filmes, Netflix, Resenhas/Críticas, Streaming

Sabe aquela sensação quando você ouve Stephen King e já se prepara para arrepiar os pelos do braço, esperando por algo que vai te sugar para um poço de terror psicológico? Pois é, “Chamas da Vingança” te dá tudo isso… e depois joga um balde de água fria. Uma história com potencial para explodir em chamas, mas que mal acende um fósforo.

Crítica: "Chamas da Vingança" (Firestarter) | Foto: Reprodução
Crítica: “Chamas da Vingança” (Firestarter) | Foto: Reprodução

Pra começar, temos o clássico experimento científico desastroso, uma ideia que King ama. Andy McGee (David Keith) e Victoria (Heather Locklear) são cobaias de um experimento secreto comandado pelo Dr. Wanless (Freddie Jones), que basicamente transforma o casal em mutantes de um filme B dos anos 80. Eles ganham poderes telecinéticos (chique, né?), mas o verdadeiro prêmio é a filhinha deles, Charlie (interpretada por uma Drew Barrymore novinha), que não só é fofa, mas também tem o poder de transformar qualquer coisa em churrasco com a mente. A premissa é interessante? Claro! O problema é que o filme faz tão pouco com isso que até a pirocinesia da Charlie parece uma função a mais no micro-ondas.

E aí entra Zac Efron. Quer dizer, vamos combinar – quem não gosta do Zac? O cara carrega um carisma que poderia salvar até o mais tosco dos filmes… mas nem mesmo ele é capaz de fazer esse roteiro desandar menos. É quase como se ele estivesse lutando contra o próprio script, tentando extrair alguma faísca emocional, mas falhando miseravelmente porque a história simplesmente não colabora.

Lembra dos agentes da tal “Loja”? Um bando de malucos de uma organização governamental secreta, todos com cara de que estão de ressaca depois de uma noitada de festa da firma. Eles são o grande “mal” do filme, mas sinceramente, é difícil levar a sério qualquer ameaça vinda desse pessoal.

O tal do John Rainbird, o vilão sádico interpretado por George C. Scott, parece que saiu direto de um catálogo de vilões genéricos dos anos 80. Sabe quando você joga aquele “big boss” de videogame no fácil, porque tá só querendo acabar logo? É essa a sensação que ele passa. O único objetivo dele é ter a Charlie para ele… e depois matá-la. Tipo, é isso. Zero profundidade. Se for pra transformar um vilão em algo tão raso, que pelo menos seja um vilão que a gente ame odiar, mas nem isso o filme consegue.

E as cenas de perseguição? Olha, tem mais adrenalina em uma fila de supermercado. E a coisa não melhora nem quando a Charlie resolve incinerar geral. O clímax, que deveria ser a grande redenção do filme, acaba sendo só mais uma cena genérica de destruição com fogo. Nem as explosões são épicas o suficiente para salvar o desastre.

Agora, ponto positivo: a trilha sonora do mestre John Carpenter. Isso sim é algo que eu consigo elogiar sem piscar. Ele consegue, em meio ao caos morno do filme, entregar uma trilha com um clima que merecia uma produção muito melhor. Se você fechar os olhos e só ouvir, pode até fingir que está assistindo a um filme de terror de verdade.

Por fim, “Chamas da Vingança” é o típico filme que não sabe o que quer ser. Ele tenta ser um terror, tenta ser ação, tenta ser um drama familiar com poderes sobrenaturais… e falha em todos. É como se pegassem várias ideias boas e jogassem no liquidificador, só pra perceber depois que a tampa estava mal encaixada e tudo voou pelo ar.

O filme passa longe de ser um clássico de terror e, pior ainda, é difícil acreditar que ele venha da mente que criou obras como “O Iluminado” e “IT”. Se você quer uma boa dose de Stephen King, leia o livro – ou maratone outra adaptação mais digna.

⭐

Avaliação: 0.5 de 5.

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Temas: Chamas da VingançaCríticaFirestarterResenhaReview

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