Chevelle sempre foi uma banda marcada pela consistência. Ao longo de três décadas, consolidaram um som que equilibra peso, melodia e identidade, sem jamais cair na caricatura de muitos de seus trabalhos do alternative metal. Com “Bright as Blasphemy”, o décimo disco da carreira, eles retornam em um momento delicado do gênero. O alt metal vive um impasse criativo: ou se repete até a exaustão, ou se lança em experimentos que raramente alcançam profundidade. É nesse cenário que o álbum se insere, tentando reafirmar o espaço da banda enquanto resiste ao tempo e às tendências passageiras.
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Diferente de seus trabalhos anteriores, este é o primeiro inteiramente produzido por Pete Loeffler, e isso já diz muito sobre a proposta. “Bright as Blasphemy” soa como um exercício de independência artística, um registro que busca autonomia sem se preocupar em agradar a todo custo. A produção é mais crua, direta, com menos polimento externo e mais identidade interna, ainda que nem sempre isso se traduza em frescor.
O disco se estrutura em duas metades distintas. A primeira mira no terreno mais clássico do Chevelle, com riffs que evocam o peso e a tensão rítmica que sempre os caracterizaram. A segunda parte, mais ousada, aposta em texturas diferentes, experimentos de timbre e construções menos previsíveis. É nesse ponto que o álbum divide opiniões: enquanto alguns momentos soam como evolução, outros beiram a dispersão criativa. Não há uma fluidez completa entre tradição e novidade, mas há, sem dúvida, a coragem de tentar.
O que se percebe em “Bright as Blasphemy” é uma banda que sabe exatamente como entregar um álbum sólido, mas que ao mesmo tempo parece lutar contra a própria fórmula. A ausência do produtor Joe Barresi, parceiro histórico do grupo, deixa espaço para escolhas que soam mais pessoais, mas nem sempre tão afiadas. Ainda assim, a presença vocal de Pete continua inquestionável, e a conexão entre ele e Sam Loeffler mantém a espinha dorsal firme.
Se comparado a “NIRATIAS”, este novo trabalho pode soar menos imaginativo. O anterior apostava em elementos progressivos, enquanto “Bright as Blasphemy” se concentra em ser direto e pesado, mas perde um pouco do impacto emocional. É um álbum que segura a consistência, mas que raramente atinge o brilho de discos como “La Gárgola”, onde o experimentalismo funcionava com mais coesão.
É importante dizer que Chevelle jamais entrega um álbum ruim. A regularidade deles é quase uma garantia, mas também pode ser uma armadilha. O resultado aqui é um disco decente, com momentos de intensidade, mas que em outros soa mais como uma reafirmação do que como uma reinvenção. É sólido, é pesado, mas não chega a ser arrebatador.
No fim, “Bright as Blasphemy” é o retrato de uma banda veterana que ainda se recusa a abandonar a relevância. O peso está lá, a identidade está lá, mas o elemento surpresa, aquele impacto que fez do Chevelle um nome fundamental no alt metal dos anos 2000, aparece apenas em lampejos. É um disco de consolidação, não de ruptura. Um trabalho que mantém a trajetória viva, mas que deixa no ar a sensação de que a banda ainda guarda algo maior para o futuro.
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