“Cidade Tóxica” é uma investigação implacável dos danos ambientais e da luta por justiça. A minissérie britânica, lançada pela Netflix em 2025, coloca a tragédia de Corby sob os holofotes, narrando a incansável batalha de três mães contra a negligência corporativa. Embora se apoie em uma narrativa que lembra clássicos como “Erin Brockovich” e “Dark Waters”, a produção enfrenta desafios próprios ao diluir seu impacto ao longo de quatro episódios.
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O ritmo e a estrutura narrativa são os principais culpados. Em teoria, uma minissérie de quatro horas permitiria uma exploração mais profunda dos personagens e eventos. Na prática, porém, a obra patina. A trama se concentra desproporcionalmente na vida pessoal de Susan McIntyre, interpretada com intensidade por Jodie Whittaker. Seu relacionamento com o filho Connor ganha destaque, mas o mesmo não pode ser dito de seu outro filho, Daniel, que quase desaparece da narrativa.
Rory Kinnear, como o advogado Des Collins, é um dos pontos altos. Sempre impecável, Kinnear traz uma presença magnética. Contudo, a própria estrutura da série limita seu impacto. Ao invés de uma crescente intensidade, a narrativa se dispersa, perdendo a oportunidade de aprofundar o drama judicial e ampliar o alcance emocional da história.
A direção de Jack Thorne, apesar de competente, não consegue injetar a urgência necessária. Visualmente, a série adota uma estética fria e desolada, apropriada para a temática, mas que em alguns momentos reforça a falta de dinamismo. Composições de câmera convencionais e uma iluminação pouco inspirada não contribuem para destacar cenas-chave.
Stephen McMillan como Ted também merecia mais espaço. Seu personagem é relegado a segundo plano, com suas motivações e complexidade apenas sugeridas. Robert Carlyle e Joe Dempsie sofrem do mesmo mal, deixando a impressão de que havia muito potencial desperdiçado.
Por outro lado, Jodie Whittaker e Aimee Lou Wood oferecem atuações comoventes. Whittaker, especialmente, incorpora a dor e a determinação de uma mãe que enfrenta o sistema. Wood, que muitos ainda associam ao seu papel em “Sex Education”, demonstra amadurecimento notável, mostrando sua capacidade dramática em uma performance visceral.
A comparação com outras produções semelhantes é inevitável. Enquanto “Erin Brockovich” e “Dark Waters” condensam a tensão em duas horas eletrizantes, “Cidade Tóxica” dilui seu potencial ao tentar expandir sua narrativa. O resultado é um drama sólido, mas que carece da intensidade necessária para causar um impacto duradouro.
“Cidade Tóxica” é um lembrete poderoso da luta por justiça ambiental, sustentado por atuações de destaque. No entanto, sua narrativa estendida e falta de foco comprometem seu impacto emocional. Vale a pena assistir pelas performances, mas não espere a intensidade de outras obras do gênero. Com uma direção mais coesa e um ritmo mais afiado, esta história real poderia ter atingido um patamar muito mais elevado.
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