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Crítica: “Coração de Lutador: The Smashing Machine” (The Smashing Machine)

Há algo de curioso em assistir a “Coração de Lutador”. Benny Safdie entrega um filme que, à primeira vista, parece seguir o caminho tradicional dos dramas esportivos, mas que rapidamente se revela outra coisa. A obra não busca a catarse fácil, tampouco a epopeia de superação que costuma alimentar o gênero. O que vemos é um retrato cru, denso e até irônico de Mark Kerr, um lutador que carrega no corpo e na mente as cicatrizes de uma vida marcada por conquistas e autossabotagem.

Crítica: “Coração de Lutador: The Smashing Machine” (The Smashing Machine)

O título em português até sugere grandeza, mas a ironia já está no nome original: “The Smashing Machine” soa como o anúncio de uma máquina invencível, mas Safdie desmonta essa imagem ao mostrar um homem frágil, perdido entre o vício, as derrotas íntimas e o peso de ser uma lenda que não consegue controlar a própria vida. É um filme que subverte o mito do atleta imbatível, revelando a banalidade do cotidiano entre treinos, brigas conjugais e recaídas.

Dwayne Johnson surpreende em um papel que desmonta o estereótipo que o consagrou em Hollywood. Sua presença física é inegável, mas o que impressiona aqui é a vulnerabilidade exposta, a entrega a um personagem que contradiz tudo o que a imagem pública de “The Rock” construiu ao longo de décadas. É, sem dúvida, sua atuação mais ousada e carregada de nuances, mostrando que ainda havia camadas inexploradas em sua carreira. Emily Blunt, por sua vez, dá profundidade a um papel que poderia ser periférico, transformando-o em um contraponto essencial para entender as contradições de Kerr. O relacionamento entre os dois é turbulento, visceral, e se aproxima mais de um estudo de personagens do que de uma história esportiva.

Há ecos de “O Vencedor”, “O Lutador” e “Touro Indomável” em sua estrutura, mas Safdie adota um tom muito próprio. Ele cancela deliberadamente os clichês, recusa o arco clássico de ascensão e queda para entregar um retrato de mediocridade que, paradoxalmente, torna-se fascinante. É um filme antiesportivo dentro de um gênero acostumado a celebrar heróis. A luta mais importante não acontece no ringue, mas na vida pessoal de Kerr, onde ele insiste em se destruir enquanto tenta se reconstruir.

O resultado pode frustrar quem espera uma explosão de adrenalina, mas conquista justamente por ser fiel à tragédia cotidiana do personagem. “Coração de Lutador” é menos sobre glória e mais sobre desgaste, sobre a impossibilidade de escapar de si mesmo, ainda que o mundo enxergue um ídolo. Benny Safdie estreia em carreira solo provando que sua assinatura não depende do irmão: é uma obra que questiona convenções e desafia expectativas, ainda que seja desconfortável, irregular e amarga.

“Coração de Lutador: The Smashing Machine”
Direção: Benny Safdie
Roteiro: Benny Safdie
Elenco: Dwayne Johnson, Emily Blunt, Lyndsey Gavin
Disponível nos cinemas

Avaliação: 3 de 5.

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